Kemp criticou suposto monitoramento do governo federal a encontro de bispos católicos

A reunião do episcopado da igreja católica com o papa Francisco – denominada sínodo – foi tema da fala do deputado Pedro Kemp (PT) na tribuna da Casa de Leis nesta quinta-feira (14). O parlamentar alegou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estaria monitorando as reuniões de preparação dos bispos brasileiros para o encontro que acontecerá no Vaticano e discutirá novos caminhos para a igreja e ecologia integral na Amazônia.

“Registro essa situação revoltante. O setor inteligência do governo Federal está monitorando os religiosos e representantes dos países vizinhos que também fazem parte da Amazônia. O sínodo quer discutir a evangelização na região, falar sobre o trabalho dos padres que entregam tudo o que têm para se dedicar à população, em uma região inóspita, para defender a vida e a dignidade das pessoas”, disse Kemp.

O parlamentar explicou que o encontro também se voltará para questões ambientais. “Há uma encíclica do papa que retrata especificamente a importância do meio ambiente, que deve ser uma preocupação do cristão e o governo está utilizando a Abin para espionar os bispos e padres com a desculpa de que ali pode ser discutido algo que pode colocar em risco a segurança nacional. A Abin tem é que espionar criminosos”, defendeu.

Em resposta a Kemp, o deputado Coronel Davi (PSL) afirmou que a informação sobre espionagem já foi esclarecida. “O governo já desmentiu essa informação. A Abin está preocupada em cuidar bem dos temas que fazem parte do interesse e da segurança nacional. A Amazônia é dos brasileiros e cabe governo Federal que isso se mantenha sem interferência internacional”, disse.

O deputado Capitão Contar (PSL) defendeu o monitoramento feito pela agência de inteligência. “Amazônia é território nacional. Sou a favor do acompanhamento da Abin. Respeito a igreja católica, mas interesse nacional é interesse de todos nós”, pontuou.

Kemp respondeu a fala dos parlamentares. “A Amazônia é brasileira, mas os países que fazem fronteira com a região também fazem parte da Amazônia. Vi a nota oficial que desmente a espionagem da Abin, mas lá fala que a agência está focalizando as pautas do sínodo. A Abin está discutindo as pautas dos bispos. Não estamos discutindo a soberania da Amazônia. Este governo precisa parar de cavar que tem comunista infiltrado em todo lugar”, finalizou.