Justiça do Equador mantém condenação, e ex-presidente Rafael Correa está fora das eleições

O ex-presidente Rafael Correa, do Equador (2007-2017),  teve sua condenação de oito anos por suborno confirmada pelo Supremo Tribunal Nacional de Justiça do país nesta segunda-feira. Dessa forma, Correa não poderá se candidatar à Vice-Presidência nas próximas eleições, previstas para fevereiro de 2021, como vinha postulando.

Correa, que seria companheiro de chapa do jovem economista Andrés Arauz por uma coalizão de esquerda, já havia tido sua candidatura suspensa na última quarta-feira pelo Conselho Nacional Eleitoral. A medida, no entanto, não excluía o ex-presidente do pleito — o que ocorreu agora com a confirmação de sua sentença pelo tribunal.

No julgamento desta segunda-feira, segundo o jornal equatoriano El Telégrafo, também foram ratificadas as sentenças de outras 15 pessoas, entre elas a do ex-vice-presidente Jorge Glas, que ocupou o cargo em parte do governo Correa.

Em sua conta no Twitter, Correa comentou a decisão:

“Eles finalmente conseguiram. Em tempo recorde, dão uma sentença ‘final’ para me desqualificar como candidato. Eles não entendem que tudo o que fazem é aumentar o apoio popular. Eu ficarei bem. Dê toda a solidariedade aos perseguidos. Lembrem-se: a única coisa por que eles nos condenam é por vencer”, escreveu o ex-presidente.

Atualmente exilado na Bélgica, Correa enfrenta outros processos judiciais no Equador com mandados de prisão. No caso do julgamento desta segunda-feira, a Justiça equatoriana já havia confirmado, em julho, sua condenação, o que retirou seus direitos políticos, o que foi confirmado neste processo, julgado em sua ausência. Correa havia recorrido da sentença recentemente.

O ex-mandatário enfrenta outro mandado de prisão para ser julgado pelo sequestro de um opositor equatoriano na Colômbia em 2012, crime pelo qual não pode ser julgado em sua ausência.

Correa, de 57 anos, alega sua inocência sob o argumento de ser perseguido politicamente pelo governo de Lenín Moreno, que foi seu vice-presidente nos 2007 a 2013, mas com quem rompeu.

Moreno, cujo mandato de quatro anos termina em maio de 2021, promoveu reformas legais para proibir a reeleição mais de uma vez, o que, para os críticos de Correa, impossibilitaria sua candidatura inclusive para outros cargos.

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