HRMS 20 anos: Banco recebe doações de sangue e plaquetas para salvar vidas em Mato Grosso do Sul

A doação de sangue é um dos atos de reconhecida relevância social responsável por salvar um número incontável de vidas. Em Mato Grosso do Sul, o  Hospital Regional Rosa Pedrossian (HRMS) faz a coleta de doações de sangue e também de aférese. Todo material colhido é encaminhado ao Hemosul, para passar por criteriosa análise de segurança, antes da utilização nos pacientes receptores.

A enfermeira Érika informa que são coletadas 250 bolsas de sangue por mês, mas número ainda é baixo.

De acordo com a responsável técnica do banco de sangue, enfermeira Érika Cristine Marrer Rosa, todas as bolsas coletadas são encaminhadas para o Hemosul, onde é feita a sorologia e a separação do concentrado de hemácias, da plaqueta e do plasma. “O hemocentro distribui para os hospitais, inclusive, para o HRMS. Nós fazemos uma lista do que estamos precisando e enviamos pedido. Por mês fazemos de 200 a 250 doações de sangue. É pouco ainda. Teria que ser 25 por dia, ou seja, 750 por mês. Antes da separação é feita ainda a sorologia para verificar se o doador tem HIV, sífilis, hepatite, chagas, HTLV e malária. Então, o sangue sai daqui, passa por todo um processo de verificação de segurança para somente depois ser utilizado”, explica.

Bolsas de sangue enviadas pelo Hemosul para o HRMS.

O plasma tem cor amarela e transparente, é composto por água, sais minerais e proteínas. Pode ser utilizado para pacientes que necessitam de reposição de proteínas da coagulação. Também é matéria-prima para produção industrial de medicamentos derivados do sangue, como a albumina humana, proteínas da coagulação e imunoglobulinas.

Glóbulos sanguíneos possuem três grupos principais que são: os brancos, os vermelhos e as plaquetas. Os glóbulos vermelhos transportam o oxigênio dos pulmões para os tecidos, permitindo a respiração das células. Os brancos são importantes para a defesa do organismo. E as plaquetas são pequenos glóbulos incolores, importantes no estancamento de hemorragias.

Os interessados passam por uma triagem para ser tornar doadores.

Para doar sangue é preciso se enquadrar nos critérios. Ter 55 quilos ou mais, idade de 16 a 60 anos, ou 69 se já for doador; conferir que medicações toma; se não tomou vacina nos últimos dias; se tem tatuagem, peircing, se não fez no último ano; parceiro sexual no máximo dois e se tiver  um novo nos últimos seis meses não pode; entre outros critérios básicos da doação. “Explicamos sobre janela imunológica, investigamos sobre as viagens porque tem várias cidades e países que tem algumas doenças, como Canadá que tem a vaca louca, bem como alguns estados do norte do Brasil que tem a malária”, pontua a enfermeira.

Os componentes sanguíneos enviados ao HRMS atendem a todo hospital, seja os pacientes da oncologia, cirurgia, hemodiálise, pacientes do ambulatório que transfundem, entre outros.

Aférese

O HRMS possui uma máquina para realizar coleta e aférese, que é uma doação só de plaquetas. “Colocamos o doador na máquina por uma hora, com um kit específico para retirar só as plaquetas. Um receptor de 60kg a 70kg utiliza seis bolsinhas de plaqueta randômica, que é a que tiramos na doação de sangue. Na aférese a gente consegue retirar essas seis bolsas de um único doador. O índice de reação é bem menor porque sai de um único doador. Também mandamos a aférese para o Hemosul. Ela tem que ficar no plaquetário sob agitação”.

Jussara participa há anos e estava fazendo doação de aférese no Hospital Regional.

Érika explica que a aférese é bem melhor que a plaqueta por conta da redução da reação transfusional. “Como pegamos uma bolsinha só de vários doadores, uma doação de sangue normal que sai o concentrado de hemácias, o plasma e a plaqueta, para uma pessoa de 70 quilos, vai precisar de sete bolsas, então, vai pegar uma de cada doador diferente. Como cada doador tem um anticorpo diferente, faz reagir com a pessoa que está recebendo. Na aférese a gente tira essas sete bolsas de um só. Pode ter reação, mas com índice bem menor”.

Jussara Rosa de oliveira, 54 anos, é doadora de sangue e estava doando aférese. Segundo ela, sempre gostou de ajudar as pessoas. “Tenho sangue O- e como é difícil de ser encontrado, decidi doar. Comecei e nunca mais parei. Gosto de ajudar as pessoas. Eu tenho saúde e acho que outras pessoas também gostariam de ter. Assim me tornei doadora. O recado que eu deixo é que as pessoas venham doar sangue para ajudar a salvar vidas. De tanto tempo que eu doo, o pessoal aqui já é como se fosse da minha família. Sempre fui muito bem atendida no HRMS”.

A bioquímica Daniela identifica a compatibilidade entre doador e receptor.

A doadora Joelma Lima da Silva, de 35 anos, (foto capa) decidiu doar sangue para ajudar as pessoas. “Meu tipo sanguíneo é O+. Comecei a doar faz bastante tempo e eu acho que todo mundo que tem as condições exigidas também deveriam doar. Poder contribuir com a vida do outro é algo muito prazeroso. Além do que, o atendimento aqui é muito bom”.

A bioquímica Daniela Maria Yule Nogueira, de 42 anos, trabalha há 17 anos no Hospital Regional. “Faço a prova cruzada, para ver se a bolsa de sangue é compatível com o receptor. As bolsas vêm do Hemosul liberadas, chega o pedido para o paciente e a gente cruza para saber se aquela pessoa pode receber a bolsa. Nosso trabalho faz muita diferença aqui. Nesses 20 anos de HRMS, tivemos muitas melhorias, mas precisamos avançar ainda mais. Principalmente no número de doadores de sangue”.