Homem que matou idosos no trânsito diz que mentiu para polícia e bebeu 6 latas de cerveja antes de dirigir em MS

O acusado de matar um casal de idosos, na região central de Campo Grande, há pouco mais de um ano, falou durante o júri nesta manhã (2) e confessou que bebeu 6 latas de cerveja, pouco antes de assumir a direção. Saulo Lucas Barbosa Vieira também foi questionado sobre o depoimento contraditório e ressaltou que mentiu para a polícia. Ao final, o acusado aproveitou o momento e pediu perdão para a família das vítimas.

“Bebi 6 latas até umas 22h, 22h30. Depois dormi, acordei e decidir ir ao Centro para comprar o salgado. Lá tinha de R$ 1 em uma padaria. Eu não lembro o endereço. Lá [na rua], quando virei na curva, não tinha sinalização e eu entrei na contramão e fui de frente com o carro das vítimas. Tentei evitar, mas, não consegui”, ressaltou Saulo.

A colisão foi frontal e a perícia apontou a velocidade mais do que o dobro do permitido pela via, além de marcas de frenagem e pneus carecas. Na sequência, o suspeito disse que pretendia fazer entrega de frangos, já que estaria trabalhando para uma empresa na saída para Sidrolândia. “Eu estava na cidade há 8 meses e, há 4, fazia diárias e trabalhava como motorista. Antes de entrar no serviço, desci pra comprar um salgado e depois aconteceu o acidente”, emendou.

Diferente do que foi falado em depoimento na polícia, o suspeito fala que ingeriu bebida alcoólica na casa dele e não na casa da namorada, como havia dito anteriormente. “Eu bati a cabeça muito forte com o acidente e não falava coisa com coisa. Eu também disse que estava sendo perseguido por um ladrão, só que isso foi algo que a advogada minha da época mandou falar. Eu cheguei na cadeia com uma culpa maior ainda. Queria que me perdoassem porque falei essa mentira”, argumentou.

Na época, o suspeito comentou que dirigia a cerca de 60 km/h antes da lombada e, posteriormente, reduziu para 40 km/h. “Entrei na contramão porque não conhecia o centro, não tinha sinalização. Eu entregava frango, mas, usava GPS e tinha o ajudante. Nós só entregávamos em bairros”, disse.

Ao final, ele aproveitou a oportunidade para pedir perdão. “Não sou esse assassino que estão pensando. Queria que me perdoassem pelo que eu fiz, só quero uma oportunidade para cuidar das minhas filhas”, finalizou.

Filhas das vítimas participam do júri

Sentada de frente para Saulo, a gerente de recursos humanos Flavia de Souza Cruz, de 37 anos, desabafa: “Acabou com meu mundo. Eles [vítimas] eram tudo pra mim. Meu pai estava a 30 km por hora, ele era muito responsável no trânsito. A gente não considera acidente e sim um crime porque ele estava na contramão e bêbado”, disse, muito emocionada, durante o julgamento do acusado.

A filha mais velha do casal, Fernanda de Souza Cruz, ressaltou o quanto os pais eram “batalhadores”. “Eles ajudaram muita gente. A casa deles era um local onde tudo mundo se sentia acolhido. Minha mãe acordava de madrugada, trabalhava passando roupa em 9 casas enquanto meu pai era pedreiro. Ele fazia muitos bicos e ela também complementava a renda vendendo lingerie, entre outras coisas”, afirmou.

Morando atualmente em Dourados, na região sul do estado, Fernanda conta que trabalhava em um hospital e visitava os pais nas folgas. “Eu não ficava um dia sem falar com eles”, lamentou.

O casal, ainda segundo Fernanda, estava prestes a comemorar 43 anos de casados e, ao todo, tinham 55 anos de convivência. “Mas, não teve”, comentou.

Acusação

O réu, na época com 27 anos, está preso desde o dia do acidente: 15 de junho de 2018. Ele responde por homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas.

Para o Ministério Público Estadual (MPE), o crime teria ocorrido com as qualificadoras de motivo torpe, perigo comum e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Já a defesa sustenta que não está provada a condição de crime doloso contra a vida, e sim homicídio culposo, quando não há a intenção de matar.

Acidente

O réu estava sozinho no automóvel dele, entrou na contramão e bateu no carro das vítimas, que morreram no local. Na ocasião, o homem ficou ferido e foi levado para a Santa Casa. Ele disse que estava na casa da namorada e lá ingeriu bebida alcoólica, ainda conforme a polícia.

Ele se negou a realizar o teste do bafômetro, no entanto os policiais então constataram que ele estava consciente e orientado, porém com “forte odor etílico, fala arrastada e olhos avermelhados”. Houve então a constatação do termo de embriaguez e a prisão em flagrante. Ele já tinha sido flagrado em situação semelhante anteriormente.

FonteG1 MS