Senador e Lula não se enfrentaram no primeiro turno; integrantes da campanha defendem que candidato do PL não participe de nenhum encontro ou restrinja agenda ao último confronto
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Depois de passar ao segundo turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) começou a ser aconselhado por aliados a evitar debates na nova etapa da disputa. Integrantes de seu entorno defendem que o senador não compareça a todos os encontros previstos para as próximas três semanas e faça uma seleção daqueles considerados mais relevantes.
A tendência hoje é que o debate da TV Globo seja o único do qual participe, embora haja aliados que defendam que ele não vá a nenhum.
A discussão ocorre depois de uma campanha em que Flávio e Lula não se enfrentaram em debates. Os dois principais candidatos evitaram os encontros no primeiro turno, mas Flávio condicionou suas ausências à decisão do petista de não participar e passou a cobrar publicamente que o presidente aceitasse enfrentá-lo.
– Quem está lá não é meu adversário – afirmou na ocasião.
O encontro acabou reunindo Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
A estratégia de vincular sua presença à de Lula começou a mudar apenas na reta final. Na última semana antes da votação, Flávio decidiu inicialmente comparecer ao debate da TV Globo mesmo depois de o presidente informar que não iria. A decisão provocou uma divisão interna: parte dos aliados defendia que o senador mantivesse a lógica adotada anteriormente e também faltasse.
A campanha passou a preparar Flávio para usar a ausência do petista como arma. O plano era fazer perguntas dirigidas ao púlpito vazio de Lula e transformar esses momentos em vídeos para as redes sociais, mantendo o presidente como principal adversário mesmo sem sua presença no estúdio.
Na tarde do debate, porém, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a Globo não exibisse o púlpito vazio de Lula e proibiu perguntas dirigidas ao candidato ausente. Flávio anunciou então que não participaria mais do encontro, atribuindo a decisão ao que classificou como “censura” da Justiça Eleitoral. Pouco depois, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos, do Missão, entre os participantes. Diante das decisões judiciais e das ausências de Lula e Flávio, a Globo cancelou o debate.
No segundo turno, a existência de apenas dois candidatos elimina o argumento usado por Flávio para faltar ao primeiro debate — o de que não fazia sentido comparecer sem Lula —, mas não encerrou a resistência dentro da campanha a esse tipo de confronto. Parte dos aliados avalia que o desempenho obtido neste domingo permite ao senador ser seletivo e evitar uma sequência de embates ao vivo durante as três semanas restantes de campanha.
A posição de Lula também entra no cálculo. O presidente não participou dos debates do primeiro turno e sua disposição para aceitar uma sequência de confrontos agora será considerada pela campanha adversária.
A Globo tende a ser a exceção. A avaliação predominante hoje na campanha é que, se houver debate da emissora no segundo turno, Flávio deverá comparecer.
A definição também terá impacto sobre a agenda das próximas três semanas. A campanha pretende aumentar a presença de Flávio no Nordeste, incorporar aliados que encerraram suas próprias disputas neste domingo e buscar o apoio dos candidatos derrotados no primeiro turno. Entre os exemplos estão Tarcísio de Freitas (Republicanos) reeleito em São Paulo, e Sérgio Moro (PL), eleito no Paraná.
Flavinho light’ na TV
A campanha pretende reforçar no horário eleitoral do segundo turno a estratégia batizada internamente de “Flavinho light”. O termo é usado por integrantes da campanha para descrever a tentativa de apresentar Flávio com um perfil mais moderado, reduzindo embates e priorizando propostas e temas do cotidiano, como custo de vida e segurança pública.
Para a propaganda de rádio e televisão, a orientação inicial é aprofundar o lado “light”. A campanha planeja dar mais espaço a propostas de segurança e economia e reduzir ataques diretos a Lula. Críticas ao petista devem aparecer principalmente associadas a temas do governo, enquanto confrontos mais duros poderão ser explorados em outros espaços da campanha.
Entre os assuntos que devem ganhar destaque estão economia, custo de vida e segurança pública, que já haviam sido priorizados por Flávio na reta final do primeiro turno. A intenção é usar o horário eleitoral para apresentar medidas de um eventual governo e buscar eleitores que escolheram outros candidatos na primeira etapa da disputa.





