Famílias são retiradas de casas durante reintegração de posse em área invadida

Cerca de 50 casas de alvenaria devem ser demolidas de terreno particular

Cerca de 200 famílias estão sendo retiradas de casas construídas em terreno particular que foi invadido no  Jardim Nashville, em Campo Grande. Reintegração de posse começou na manhã de hoje e, por conta dos trabalhos, Avenida Guaicurus está bloqueada por cerca de três quilômetros, tanto para trânsito de veículos quanto de pedestres.  

Reintegração de posse foi determinada pela juiz da 2ª Vara Cível, Paulo Afonso, e deve ser feita até às 20h de hoje.

Polícia Militar (PM) e Corpo de Bombeiros e Energisa estão no local, além de equipes com tratores e caminhões para fazer a demolição das cerca de 50 casas construídas no terreno, todas de alvenaria.

No início da manhã, por volta das 6h, quando equipes da PM chegaram ao local moradores tentaram resistir a desocupação e fizeram um cordão humano de mulheres e crianças. Polícia jogou bombas de efeito moral para desfazer a corrente e moradores iniciaram a desocupação da casa, sem resistência.

Demolição deve começar por volta das 9h30 e, além dos pertences, invasores estão desmontando as casas, retirando telhas e janelas.

Dono de uma loja de material de construção localizada em frente a área invadida, Ricardo Coelho, 26 anos, afirma que o grupo está na área há cerca de quatro meses e não sete, como dito pelas famílias, e que a invasão ocorreu de forma muito organizada.

Segundo ele, as famílias dividiram o terreno em um dia e, no dia seguinte, começaram a construir.

Advogado do proprietário do terreno, Antônio Rivaldo, informou que a área, de aproximadamente 62 mil m², estava com pendência na prefeitura e ficou três anos esperando liberação para que pudesse ser vendido.

Rivaldo confirmou que a área é do bisneto de José Antônio Pereira, João Pereira da Rosa e disse que liberação pela prefeitura ocorreu em junho, mesmo mês que a área foi invadida.

Terreno foi vendido para o Supermercado Pires e, na escritura, ficou sob responsabilidade do proprietário entregar o terreno desocupado.

Manicure e cuidadora de idosos, Célia Aquino da Silva, 60 anos, alegou que o proprietário esteve no terreno autorizando as pessoas a permanecerem no local na época que houve a ocupação. Advogado negou a informação e disse que ele esteve no terreno, mas que o interesse era negociar e nunca teria sinalizado que as pessoas poderiam continuar na área.