‘Exército não matou ninguém’, afirma Bolsonaro sobre morte de músico no RJ

© Marcos Corrêa

Depois de seis dias de silêncio, o presidente Jair Bolsonaro comentou nesta sexta-feira, 12, o fuzilamento do músico Evaldo Rosa dos Santos, de 46 anos, por militares do Exército no Rio de Janeiro. Em entrevista durante inauguração do aeroporto de Macapá, o presidente classificou o assassinato de Rosa como um “incidente”, declarou que o Exército “não matou ninguém” e que a instituição não pode ser acusada de ser “assassina”. Dez militares dispararam 80 tiros contra o carro dirigido pelo músico, que levava sua família a um chá de bebê na tarde do domingo 7.

“O Exército é do povo. A gente não pode acusar o povo de assassino. Houve um incidente. Houve uma morte. Lamentamos ser um cidadão trabalhador, honesto”, afirmou.

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O veículo dirigido por Evaldo Rosa transitava por uma rua de Guadalupe, na zona norte do Rio, quando supostamente foi confundido com um automóvel em que estariam criminosos e alvejado 80 vezes. O músico morreu no local e duas pessoas ficaram feridas. O sogro, Sérgio Gonçalves de Araújo, foi baleado nas costas e no glúteo. Os disparos atingiram também um homem que tentava socorrer a família.

Dez militares foram presos em flagrante, dos quais nove tiveram as prisões convertidas em preventivas pela 1ª instância da Justiça Militar na quarta-feira 10. Nesta quinta-feira, 11, eles entraram com um pedido de liberdade no Superior Tribunal Militar (STM). O habeas corpus foi sorteado para o ministro Lúcio Mário de Barros Góes, general do Exército. O teor do pedido de liberdade não foi divulgado.

“Está sendo apurada a responsabilidade. No Exército sempre tem um responsável. Não existe essa de jogar para debaixo do tapete” afirmou Bolsonaro.

Na terça-feira, o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, tinha dado a única declaração em nome da Presidência: “O presidente confia na Justiça militar, no Ministério Público militar e, a partir desse pressuposto, ele identifica e solicita até dentro da possibilidade, já que há independência de poderes, que esse caso seja o mais rapidamente elucidado”.