EUA dizem que Rússia pode invadir Ucrânia a qualquer momento, mas diplomacia segue possível

Rússia pode invadir a Ucrânia dentro de dias ou semanas, mas ainda pode optar por um caminho diplomático, disse o assessor de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, neste domingo (6).

“A qualquer momento, a Rússia pode tomar uma ação militar contra a Ucrânia, disse assessor de Biden em entrevista ao programa de TV “Fox News Sunday”. “Ou pode ser daqui a algumas semanas, ou a Rússia pode optar por seguir o caminho diplomático”.

Imagem de vídeo divulgado pelo Ministério da Defesa da Rússia em 2 de fevereiro de 2022 mostra soldados russos participando de treinamento militar em Yurginsky, na região de Kemerovo, na Rússia — Foto: Ministério da Defesa da Rússia via AP

Imagem de vídeo divulgado pelo Ministério da Defesa da Rússia em 2 de fevereiro de 2022 mostra soldados russos participando de treinamento militar em Yurginsky, na região de Kemerovo, na Rússia — Foto: Ministério da Defesa da Rússia via AP

Sullivan disse acreditar que a ação russa pode incluir a anexação da região de Donbass, na Ucrânia, onde separatistas apoiados pela Rússia romperam com o controle do governo ucraniano em 2014, quando o governo russo anexou a região da Crimeia.

Ele também listou ataques cibernéticos e até mesmo uma invasão em larga escala do país como possíveis ações da Rússia — serviços de inteligência americanos acreditam que os russos podem tomar Kiev, a capital da Ucrânia, em cerca de 48 horas (veja mais abaixo).

No sábado (5), duas autoridades da inteligência dos EUA disseram que o governo russo intensificou os preparativos para uma invasão em grande escala e reuniu 70% das forças que precisaria para traçar um possível ataque ao vizinho.

Entenda a escalada de tensão

 

O governo russo nega ter planos de atacar a Ucrânia, mas concentra mais de 100 mil soldados perto da fronteira com o país. E a escalada da crise expõe, mais uma vez, as divergências históricas entre EUA Rússia (veja no vídeo abaixo).

Rússia alega que o leste europeu é sua área de influência e exige que os EUA e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) parem de avançar sobre a região (desde o fim da União Soviética, vários países passaram a fazer parte da aliança militar e ou da União Europeia).

Os russos exigem que os EUA e a Otan garantam que a Ucrânia nunca fará parte da aliança militar, mas os países do Ocidente se negam a aceitar essa imposição, que consideram inaceitável. Os russos também querem que tropas ocidentais sejam retirados de países próximos à sua fronteira.

Tomada de Kiev em 48h

 

Segundo a agência de notícias France Presse, os serviços de inteligência americanos acreditam que os russos podem tomar Kiev, a capital da Ucrânia, e derrubar o presidente Volodymyr Zelensky em cerca de 48 horas se optar por um ataque em grande escala.

Tal ataque deixaria de 25 mil a 50 mil civis mortos, de 5 mil e 25 mil soldados ucranianos e de 3 mil a 10 mil soldados russos. Também poderia desencadear uma avalanche de 1 a 5 milhões de refugiados, principalmente para a Polônia.

 

Perguntada sobre a chance de uma invasão russa, a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, disse à CNN: “Ainda estamos trabalhando para desencorajar os russos de fazerem a escolha errada de escolher o confronto”.

Tensão na Ucrânia — Foto: Reprodução

Tensão na Ucrânia — Foto: Reprodução

Ucrânia minimiza declarações

 

Diante da escalada de tensões, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmitro Kuleba, disse neste domingo (6), em uma rede social, desconfiar de “previsões apocalípticas”.

O governo ucraniano também acredita que uma “solução diplomática” com a Rússia é muito mais provável que uma escalada militar.

“As chances de encontrar uma solução diplomática para uma desescalada são consideravelmente maiores que a ameaça de uma nova escalada”, declarou Myhailo Podoliak, conselheiro-chefe do governo ucraniano.

 

Ucrânia vem tentando há semanas minimizar o risco de um ataque russo, enquanto tenta evitar mais danos à sua frágil economia, mas Podoliak afirma que seus aliados devem “estar preparados para todos os cenários possíveis”.