Entre medo da pandemia e movimento antirracista, Tulsa se prepara para comício de Trump

O presidente Donald Trump realiza neste sábado (20) seu primeiro evento eleitoral desde o início da pandemia do novo coronavírus em Tulsa, no estado de Oklahoma. O clima é de tensão de um lado por causa do risco de disseminação de Covid-19 por causa da aglomeração no BOK Center, que pode receber até 19 mil pessoas.

A estimativa é a de que mais de 100 mil pessoas sigam para Tulsa entre sexta (19) e este sábado, em um momento em que o estado de Oklahoma sofre um aumento nos casos de Covid-19. Para complicar ainda mais a organização do evento não vai obrigar os participantes a usarem máscaras.

De outro, por causa da história da cidade que Trump escolheu para retomar sua campanha eleitoral: Tulsa foi palco, em 1921, de um dos confrontos mais marcantes da violência racial no país. No confronto, 300 pessoas morreram e milhares ficaram desabrigadas após o ataque de uma multidão branca a casas e lojas de uma comunidade negra conhecida como “Black Wall Street”.

A escolha é considerada uma afronta ao movimento negro, em um momento em que o país enfrenta os reflexos dos protestos pela morte de George Floyd, que foi asfixiado por um policial branco em Minneapolis, em 25 de maio.

Fim do toque de recolher

Grupo ouve palestrantes em Tulsa, Oklahoma, na sexta-feira (19), dia em que os Estados Unidos lembram o fim da escravidão  — Foto:  Sue Ogrocki/AP

Grupo ouve palestrantes em Tulsa, Oklahoma, na sexta-feira (19), dia em que os Estados Unidos lembram o fim da escravidão — Foto: Sue Ogrocki/AP

As autoridades esperam que manifestantes contrários a Trump saiam às ruas, o que tem potencial para criar confrontos. Barreiras foram instaladas para evitar que manifestantes se aproximem do local do evento.

O republicano G.T. Bynum anulou o toque de recolher que vigorava na cidade na sexta e no sábado para acolher o comício. Para justificar a medida, o prefeito afirmou ter informações sobre a possível chegada de “indivíduos de grupos organizados que foram envolvidos em episódios violentos e destrutivos em outros estados” à cidade.

O presidente também fez um alerta no Twitter sobre os “manifestantes, anarquistas, assaltantes e criminosos que vão para Oklahoma”.

“Devem entender que não serão tratados como em Nova York, Seattle ou Minneapolis. Será muito diferente!”, escreveu o presidente, referindo-se aos protestos por vezes violentos que ocorreram recentemente nessas cidades.