Em audiência, líderes apresentam demandas das comunidades indígenas da Capital

Lideranças indígenas de Campo Grande apresentaram, durante audiência pública nesta segunda-feira (15), uma série de demandas das comunidades. O debate foi convocado pela Comissão Permanente de Meio Ambiente da Câmara Municipal, composta pelos vereadores Zé da Farmácia (presidente), Silvio Pitu (vice), Dr. Jamal, Betinho e Prof. André Luís.

“Houve uma desvalorização e um desrespeito aos povos indígenas. É importante que façamos essa reparação. Essa audiência é para sabermos se estamos no caminho. E, para saber, queremos ouvir os povos indígenas. Eles têm que nos dizer se estamos no caminho certo”, disse o vereador Prof. André, que propôs o debate.

“A participação da sociedade organizada, com a participação desses povos, agregará valor ao nosso crescimento. Temos que crescer sempre e de forma sustentável. Não podemos destruir o meio ambiente a título de crescimento”, continuou.

A audiência contou com a participação de diversas lideranças indígenas, representantes de órgãos públicos e autoridades no assunto. Líder da Setorial Indígena do Rede Sustentabilidade, Aguinaldo Arruda Areco, cobrou mais ações do poder público na periferia da cidade.

“Precisamos ter resultados e avanços. Os jovens indígenas hoje, em Campo Grande, têm enfrentado muito o assédio do álcool e do tráfico de drogas. Precisamos avançar em relação ao esporte dentro dessas comunidades indígenas”, propôs.

Já o cacique da Comunidade Indígena Água Funda, Ivaneis Gonçalves Moreira, pediu melhorias na infraestrutura da região. “Vivemos em situação de extrema vulnerabilidade. Não temos coisas básicas, como moradia e educação, já que a escola mais próxima fica a mais de um quilômetro, e as crianças vão a pé. Temos mais de 100 crianças, a maioria terenas. São 92 famílias, e mais de 400 moradores. Necessitamos desse olhar do poder público”, pediu.

O presidente do Conselho Municipal de Direitos e Defesa dos Povos Indígenas, Auder Romeiro Larrea, também pediu avanços nas áreas de educação, saúde e infraestrutura. “Falo como morador da Aldeia Água Bonita, pois é o morador que sente na pele o que acontece dentro da comunidade. A maioria das comunidades estão no chão, sem asfalto”, exemplificou.

Para a advogada Tatiana Ujacow, a luta é antiga, alguns passos são dados, mas faltam esforços efetivos. “Nossos primeiros habitantes estão padecendo com educação, saúde, transporte e moradia precárias. Até onde vamos para sensibilizar os governos sobre essa situação? As situações não se modificam, os clamores são os mesmos, e as vozes não são ouvidas. Há quanto tempo falamos de desnutrição? A voz principal a ser ouvida é de quem está ali sofrendo. O indígena que deixa sua aldeia, não deixa de ser indígena. Os povos carregam sua tradição e sua cultura, e assim devem ser respeitados e ouvidos”, afirmou.

Já a advogada Gisele Marques observou que alguns indígenas, mesmo com ensino superior e até mesmo Mestrado, encontram dificuldades para ingressarem no mercado de trabalho. O motivo, segundo ela, seria o preconceito, e é preciso medidas do poder público.

“Muitos se capacitam e não conseguem emprego. É preciso incentivos, talvez do Poder Executivo. Mas podemos fazer uma indicação para que a chefe do Executivo elabore um projeto de lei para mandar a essa Casa para criar benefício fiscal às empresas que empregarem mão de obra indígena”, sugeriu.

Jeozadaque Garcia
Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal

FonteJeozadaque Garcia Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal