Eleita premier da Suécia, social-democrata renuncia no mesmo dia após perder apoio dos Verdes

ESTOCOLMO — A social-democrata Magdalena Andersson renunciou à chefia do governo nesta quarta-feira, horas depois de ser eleita pelo Parlamento para substituir o primeiro-ministro demissionário Stefan Löfven, que renunciou este mês após sete anos no cargo.

A renúncia de Andersson aconteceu depois de ela perder apoio dos Verdes, um dos três partidos que formariam a sua coalizão, ao lado do Social-Democrata e do Partido de Esquerda. Andersson disse que tentará formar um novo Gabinete apenas com sua legenda, que tem a maior bancada, mas é minoritária no Parlamento.

— Há uma prática constitucional segundo a qual um governo de coalizão renuncia quando um partido sai. Não quero liderar um governo cuja legitimidade esteja em questão —  declarou a líder social-democrata, acrescentando que espera ser reeleita em uma votação futura.

O Partido Verde decidiu deixar a coalizão após seu orçamento ter sido rejeitado pelo Parlamento.

Além da saída dos Verdes, Andersson já enfrentava outros problemas. Nesta quarta-feira, o Partido de Centro anunciou que não vai apoiar o Orçamento do governo, devido ao acordo anunciado com o Partido de Esquerda na terça-feira. Magdalena Andersson sofreu, assim, sua primeira derrota. Com isso, corria o risco de governar sem o Orçamento preparado por ela, e sim com o Orçamento da oposição de direita, que tem o apoio da extrema direita.

— Acredito que, apesar de tudo, posso governar o país — chegou a dizer, em entrevista coletiva.

A nova primeira-ministra havia recebido 117 votos a favor, 57 deputados optaram pela abstenção, e 174 votaram contra seu nome. Na Suécia, um candidato ao cargo de chefe de governo não precisa do apoio da maioria no Parlamento para aprovação; necessita apenas que a maioria (175) não vote contra seu nome.

Economista e ex-nadadora, de 54 anos, Magdalena Andersson havia sido eleita a menos de um ano das eleições legislativas, previstas para setembro de 2022 e que devem ser muito acirradas.

Criminalidade

Embora a Suécia seja considerada há muito tempo uma referência em igualdade de gênero, nunca teve uma mulher no comando do governo, ao contrário do restante dos países nórdicos (Dinamarca, Finlândia, Noruega e Islândia).

Depois de assumir a liderança dos social-democratas, Andersson havia definido três prioridades políticas. A primeira seria “recuperar o controle democrático das escolas, da saúde e dos cuidados com os idosos” e afastar o setor de bem-estar social da privatização. Também defendeu fazer da Suécia um modelo para a transição climática.

E, por fim, optou por acabar com a segregação, os tiroteios e as explosões que afetaram o país nos últimos anos, muitas vezes devido a rivalidades entre gangues, ou grupos de traficantes de drogas.

Essa violência atinge, sobretudo, os bairros mais carentes, com grandes populações de imigrantes, mas se espalhou para outras áreas.

Em 2020, 47 pessoas foram mortas em 366 tiroteios neste país de 10,3 milhões de habitantes, de acordo com estatísticas oficiais. Também houve 107 explosões e 102 tentativas de deflagrações.

Crime e imigração são, portanto, apresentados como questões-chave nas futuras eleições.

O analista político Anders Sannerstedt, da Universidade de Lund, prevê uma “corrida apertada”.

— Hoje, quatro partidos de direita controlam 174 assentos (no Parlamento), enquanto quatro partidos de esquerda têm 175. E as pesquisas recentes mostram mais ou menos o mesmo — disse.

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