Detentas de Dourados iniciam fabricação de perucas para mulheres com câncer; presídio busca doação de cabelos

Reeducandas do Estabelecimento Penal Feminino de Regimes Semiaberto e Aberto de Dourados estão trabalhando com a produção de perucas para atender pacientes que enfrentam tratamento contra o câncer. A iniciativa, a exemplo do que já é desenvolvido em presídios de Campo Grande e Três Lagoas, visa oferecer ocupação produtiva às custodiadas ao mesmo tempo em que beneficia diretamente à população vulnerável.

A ação é uma parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), por meio da direção do presídio, Rede Feminina de Combate ao Câncer, Associação de Combate ao Câncer da Grande Dourados e a 3ª Vara Criminal de Dourados.

De acordo com a diretora do semiaberto feminino, Luzia Ferreira, o projeto surgiu por iniciativa das agentes penitenciárias Denise Potricke e Evelym Tibúrcio. Com a participação do agente Pedro Antiqueira, realizaram ação social e coletaram 10 kg de cabelo para confeccionar as perucas nessa primeira etapa. O juiz responsável pela 3ª Vara Criminal de Dourados, Cesar de Souza Lima, auxiliou na aquisição de materiais para realização do projeto.

Os trabalhos tiveram início este mês e prosseguem até o dia 13 de dezembro, quando haverá solenidade de entrega das perucas. Conforme direção do presídio a expectativa é que pelo menos 50 unidades sejam confeccionadas.

No momento, 11 detentas fazem parte do projeto e se revezam nos trabalhos divididos em turnos vespertino e noturno. Além de aprenderem um novo ofício, com o trabalho, elas recebem remição na pena, conforme estabelecido pela Lei de Execução Penal (LEP)

Para realizar a confecção das perucas as internas passaram por um curso onde aprenderam a fazer desde a triagem, higienização e costura do cabelo. Nos próximos dias receberão outro curso, para realização da montagem final da peruca, com diferentes modelos e formatos de rosto.

Entrega

No dia 13 de dezembro haverá uma solenidade com exposição das perucas e dos demais trabalhos manuais realizados pelas internas, como bijuterias, crochê, sabonete, artesanato em MDF e trabalhos em pérolas. Também estarão expostos hortaliças e legumes da horta em um terreno de 1,5 mil m² que fica ao fundo da unidade prisional e foi cedido a título de comodato.

O semiaberto feminino de Dourados é referência nacional. “As internas estão sempre em constante aprendizado, o que significa a valorização do ser humano, a oportunidade de cumprir a pena com dignidade, com escolha de profissão, cumprindo o que estabelece a Lei de Execuções Penais”, ressalta diretora da unidade prisional.

Doações

Toda pessoa ou salão de cabeleireiro pode contribuir com o semiaberto feminino com doação de cabelo. Luzia explica que qualquer tipo de cabelo pode ser utilizado, independente da quantidade e tamanho. Informações e contato para doações podem ser feitos pelo número (67) 3902-2852.