Diálogos obtidos pelo site The Intercept Brasil e divulgados pela Folha de S.Paulo no último domingo mostram que os procuradores do Ministério Público Federal desconfiaram do empreiteiro durante quase todo o tempo em que se dispôs a colaborar com as investigações — a situação só mudou depois que ele resolveu incriminar Lula.
“Não optei pela delação por pressão das autoridades, mas sim como uma forma de passar a limpo erros que cometi ao longo da minha vida. Também afirmo categoricamente que nunca mudei ou criei versão e nunca fui ameaçado ou pressionado pela Polícia Federal ou Ministério Público Federal”, afirma Léo Pinheiro na carta.
A defesa do ex-presidente, entretanto, diz que, antes de incriminar Lula, em outubro de 2016, o empreiteiro sequer reconhecia a legitimidade do processo do tríplex, porque o MPF repetia uma acusação a que ele já respondia. Também indica uma petição de fevereiro de 2017, também anterior ao depoimento de Léo Pinheiro, em que a OAS Empreendimentos informa que não localizou “contratações ou doações para ex-Presidentes da República, tampouco para institutos ou fundações a eles relacionadas”.
“Léo Pinheiro foi pressionado a apresentar uma narrativa incriminadora contra Lula por uma só razão: após ouvir 73 testemunhas de defesa e de acusação, o ex-juiz Sergio Moro não dispunha de um fiapo de prova para impor a Lula a sentença condenatória que estava predefinida desde o início do caso”, diz Zanin Martins, que sustenta que o depoimento usado contra Lula foi prestado “sem compromisso da verdade”, porque o empreiteiro também era réu.
Os advogados de Lula também relembram que, ao depor, o empreiteiro disse que havia recebido orientação de seus advogados ao ser indagado se seu comportamento havia mudado. “Léo Pinheiro disse que teria negociado o “triplex” com João Vaccari, mas este último, em carta manuscrita posteriormente anexada aos autos, negou peremptoriamente qualquer solicitação ou recebimento do imóvel em nome próprio ou em nome de Lula; o que se tem, portanto, é a palavra de Léo Pinheiro contra a palavra de João Vaccari”, acrescentam.
A defesa também reafirma que o imóvel foi cedido em garantia a um fundo administrado pela Caixa e que a transferência do apartamento só seria possível se o banco fosse pago. Os advogados de Lula acrescentam que, em uma ação trabalhista, um ex-executivo da empresa sustenta que Leo Pinheiro e outras pessoas ligadas a ele pagaram valores em dinheiro para outros executivos que teriam alinhado suas delações na Lava Jato de acordo com os interesses da OAS — do seu lado, a empresa nega.





