Crise da Evergrande paralisa projetos e provoca revolta de compradores

GUANGZHOU E XANGAI — A interrupção de projetos da Evergrande Group, entre eles o da Península Sunshine, um condomínio de 5 mil unidades nos subúrbios de Guangzhou é uma evidência concreta da onda de choque provocada pela quase falência da incorporadora imobiliária mais endividada do mundo.

A empresa tem uma dívida que gira em torno de US$ 300 bilhões (R$ 1,6 bilhão) e deixou de pagar investidores estrangeiros pela segunda vez.

A situação provocou profunda ansiedade e alarme entre os compradores dos imóveis, muitos dos quais veem procurando a empresa para expressar suas queixas ou buscando reembolso, enquanto canteiros de obras permanecem vazios e silenciosos.

De acordo com reportagem publicada pelo site Nikkei Asia, cerca de metade dos edifícios do Peníncula Sunshine foi concluída até cerca de seus andares intermediários, e a outra metade permanece vazia, com as janeças ainda sem vidro.

No fim de setembro, os trabalhos foram interrompidos e os operários que tocavam a obra não têm ideia de quando vão recomeçar.

Nos últimos dias, pequenas manifestações ocorreram em várias cidades chinesas. O Nikkei Asia conta que uma mulher na casa dos 40 anos, que assinou um contrato de compra em agosto de 2020, pagou cerca de metade do preço de 2 milhões de yuans (US$ 310 mil) em uma conta bancária indicada pela Evergrande. Mas isso acabou não acontecendo entre as contas de custódia especiais criadas sob a direção dos reguladores para supervisionar os gastos do desenvolvedor do projeto.

Em julho passado, autoridades ordenaram temporariamente a suspensão das vendas de apartamentos em dois projetos da Evergrande na província de Hunan, depois que a empresa não depositou todos os recursos em uma conta supervisionada, de acordo com a mídia local. Há suspeitas de que a empresa esteja desviando dinheiro de projetos para pagar os credores, diz o Nikkei Asia.

Um outro comprador entrevistado pelo Nikkei Asia, que fez um depósito de centenas de milhares de iuanes em abril, reclama que não há nada além de más notícias e a Evergrande não dá nenhuma explicação.

— Quero que cancelem o contrato e devolvam o meu depósito, mesmo que haja uma perda — afirmou ele, que não se identificou.

Um representante de vendas, por sua vez, insistia que a Evergrande “não iria afundar”.

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Vista aérea do estádio de futebol Guangzhou Evergrande, apontado como o maior do mundo, que está sendo construído na província de Guangdong, no sul da China. Foto: STR / AFP
Vista aérea do estádio de futebol Guangzhou Evergrande, apontado como o maior do mundo, que está sendo construído na província de Guangdong, no sul da China. Foto: STR / AFP

Evergrande, no entanto, não suspendeu todos os projetos de construção. A empresa planeja abrir um estádio de futebol nos arredores de Guangzhou no fim de 2022. A construção está em andamento no empreendimento de 12 bilhões de yuans, que será a nova casa do clube de futebol da Evergrande, Guangzhou FC.

A Evergrande não é a única empresa chinesa de renome a enfrentar uma crise recentemente — o conglomerado de viagens HNA e a fabricante de chips Tsinghua Unigroup entraram em processo de recuperação judicial . No entanto, nenhuma causou o mesmo impacto que incorporada, e tal  turbulência está ligada à relação do público chinês com o setor imobiliário.

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