Rogério Caboclo entrou no vestiário cercado de campeões mundiais, como Cafu, Gilberto Silva e Clodoado, para discursar aos jogadores da seleção brasileira. Todos os depoimentos dão a noção de que foi constrangedor. Caboclo não estava trôpego, nem embaralhava palavras, mas a conversa saiu do lado ao lugar nenhum e deu aos presentes a noção de que estava alterado.
A palavra certa é esta: alterado. Há quem diga que ele toma remédios. A funcionária da CBF que acusa Rogério Caboclo de assedio sexual e moral diz que ele pedia para esconder bebidas. Ela tem nome e sobrenome, preservados por proteção à vítima.
Os episódios desta semana não enfraqueceram Tite. Ao contrário, parecem fortalecê-lo. Está claro que, se Tite for vítima de assédio moral, ele não suportará. Lembranças de Kia Joorabchian, ao entrar no vestiário do Corinthians em 2005, depois de derrota corintiana para o São Paulo. A maneira como o treinador foi tratado foi uma das causas de sua saída do Parque São Jorge, naquela oportunidade.
Neste momento, no entanto, a aparência é de que os problemas de Caboclo, a absoluta certeza dos jogadores de que o presidente não está bem e a insatisfação com a maneira como a Copa América teve sua sede transferida para o Brasil, tudo isto fortaleceu Tite na seleção. Não o enfraqueceu.
Há muita unidade de pensamento entre a comissão técnica e os jogadores. A expectativa de um movimento de unidade das principais seleções ainda existe, mas o caminho agora parece ser a assinatura de um manifesto de protesto à mudança da Copa América e que se jogue depois do protesto.
Se este caminho se confirmar a partir da quarta-feira (9), Tite sairá fortalecido com os jogadores e também ficará mais forte o comprometimento com o plano de ganhar a Copa do Mundo de 2022. Como disse o capitão Casemiro, depois da vitória sobre o Equador, eliminatórias são partidas de Copa. E a Copa do Mundo é a prioridade.





