Covas liga para Boulos e pede desculpas após aliado tucano dizer que o adversário ‘mata a mãe para ir ao baile de órfãos’

O prefeito Bruno Covas (PSDB), candidato à reeleição em São Paulo, ligou para o candidato adversário Guilherme Boulos (PSOL) nesta terça-feira (17) para se desculpar por uma frase dita por um aliado político dele durante evento da campanha tucana no Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), no Centro da cidade.

No encontro durante a manhã, o ex-deputado federal Ricardo Tripoli (PSDB) disse, ao lado de Covas, que o adversário do PSDB no 2º turno, Boulos, “mata a mãe para ir ao baile de órfãos para poder entrar”.

“Nós temos um adversário extremamente agressivo, quem assistiu o debate ontem viu. Ele é o cara que mata a mãe para ir no baile de órfãos. Mata a mãe para ir ao baile de órfãos para poder entrar. Imaginam a agressividade que esse sujeito tem”, afirmou Tripoli.

Em nota divulgada durante a tarde, Bruno Covas classificou como “inaceitável e desrespeitosa a declaração feita hoje sobre o candidato Guilherme Boulos”.

“Atitudes como essa não contribuem para o processo democrático. O prefeito Bruno Covas já se desculpou, pessoalmente, com Boulos e espera que as campanhas, seus aliados e militantes mantenham o respeito e o bom nível que tem ditado o tom da campanha até aqui”, disse o comunicado da campanha tucana.

G1 procurou a campanha do PSOL para falar sobre o assunto, mas foi informado que o candidato Guilherme Boulos não vai se pronunciar por enquanto sobre o episódio.

2º turno

 

Covas e Guilherme Boulos disputam o segundo turno da eleição em São Paulo, que foi definido na noite deste domingo (15), quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou que os dois candidatos foram os mais votados na primeira parte da disputa para prefeito da capital.

Segundo a Justiça Eleitoral, Covas teve 32,85% (1.747.938 votos válidos) e Boulos, 20,24% (1.077.168 votos válidos).

No evento desta terça (17) no Sindnapi, o candidato tucano disse que negocia apoios com outras legendas para o 2º turno da disputa na capital paulista.

“Os acordos estão sendo tratados pelo coordenador da campanha, pelo presidente do meu partido. A gente espera em breve poder anunciá-los. Quando a gente não ganha no primeiro turno, é preciso reconhecer que você não tem forças suficientes para representar a maioria da população. Com a adesão de outras correntes políticas, de outros grupos da sociedade, a gente consegue chegar à maioria e ter um governo mais representativo”, disse nesta terça.

O prefeito já havia afirmado anteriormente que não descarta a possibilidade de receber o apoio de Celso Russomanno (Republicanos).

Covas participou de um café da manhã no Sindnapi, que faz parte da Força Sindical. O candidato foi questionado se não seria negativo para sua campanha receber o apoio de uma entidade ligada ao deputado federal e presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, que é réu por corrupção e lavagem de dinheiro.

“Eu recebi o apoio do sindicato dos aposentados. Não recebi o apoio oficial ainda, espero quem sabe receber no segundo turno, da Força ou do Solidariedade. No segundo turno é importante buscar outras forças, garantindo que essa articulação é feita em cima de um programa para a cidade de São Paulo. Não é feita em cima de pessoas, em cima de nomes, ela é feita em cima de teses para a cidade. Hoje, inclusive, recebi propostas relacionadas à área do idoso, com mais parques para os idosos, mais centros de convivência”, afirmou.

Embora a Força Sindical ainda não tenha declarado apoio formal ao tucano, os dirigentes Antônio de Sousa Ramalho e Elenice Cabral discursaram no evento a favor do candidato.

Sobre o Plano de Metas de sua gestão que previa a criação de 15 mil vagas para atividades de idosos, o prefeito afirmou que pretende avançar nas ações, mas não respondeu quantas vagas já foram criadas.

“A cidade atingiu o selo pleno do estado no que diz respeito à cidade amiga do idoso. É nessa direção que a gente quer avançar para ter espaços de acolhimento, ter atendimento conjunto de assistência e saúde. A gente já tem hoje uma sala em cada UBS [Unidade Básica de Saúde] direcionada apenas aos idosos. Justamente ações como essa que a gente quer ampliar ainda mais: na área esportiva, na área cultural, na área assistencial, na área de saúde.”