Com chegada de insumos, governo de SP estima início de vacinação contra covid em janeiro

Foto: Cadu Rolim/Agência Estado

O governo do Estado de São Paulo estima começar a vacinação contra o novo coronavírus ainda em fevereiro, no primeiro bimestre de 2020. O início da imunização dependerá dos resultados da fase 3 de testes da Coronavac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac e produzida em parceria com o Instituto Butantã, cujos resultados são esperados até 15 de dezembro. A aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também é necessária.

O Estado recebeu 120 mil doses do imunizante em novembro. Nesta quinta-feira, 3, foi a vez de chegarem 600 litros da vacina a granel, cujos insumos serão utilizados para a produção de 1 milhão de doses pelo Butantã.

Nós vamos iniciar a imunização dos brasileiros de São Paulo em janeiro. Não vamos aguardar março e nem vamos enterrar mais brasileiros“, disse o governador João Doria (PSDB) em coletiva de imprensa no início da tarde. Ele criticou o planejamento federal, que prevê o início da imunização em março.

“Surpreende essa indiferença, esse distanciamento”, declarou. “Por que iniciar em março se podemos fazer no mês de janeiro, como outros países começam a fazer agora, no mês de dezembro?

O acordo entre o governo do Estado, o instituto e a Sinovac prevê 46 milhões de doses da vacina. A estimativa é que outras 6 milhões cheguem ainda neste mês, enquanto o restante seja enviado até a primeira quinzena de janeiro.

Ao ser retirado do avião, o lote foi coberto por um banner escrito “A vacina do Brasil”. A Coronavac já foi chamada pelo presidente Jair Bolsonaro de “vacina chinesa de João Doria” e é centro de conflitos com o governador de São Paulo.

João Doria (PSDB) esteve no Aeroporto Internacional de Guarulhos para acompanhar a chegada do material com o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, e Dimas Covas, presidente do Butantã. “Viemos receber aqui mais um lote da vacina Coronavac, a vacina do Butantã, a vacina que vai salvar vidas de milhões de brasileiros”, disse o governador na recepção.

Segundo o governo, a vacina foi transportada no avião em equipamento refrigerado a temperaturas de 2ºC a 8ºC. O processo de envase pode levar de quatro a sete dias. Este lote ainda deve passar por testes de qualidade.

Ainda de acordo com o governo, outras remessas devem chegar nas próximas semanas. Apesar de já acumular 1,1 milhão de doses, o processo de vacinação só pode ser iniciado após a conclusão da última etapa dos testes clínicos, que está em andamento, e consequente aprovação do imunizante pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os resultados das duas primeiras fases dos testes clínicos da vacina apontaram que a Coronavac é segura e tem capacidade de produzir resposta imune no organismo 28 dias após sua aplicação em 97% dos casos. Os dados da última etapa, que determina a eficácia do imunizante, devem ser anunciados nas próximas semanas.