Ceni diz que futuro no São Paulo depende de reforços: “Não posso jogar uma história de 26 anos fora”

Rogério Ceni afirmou nesta sexta-feira que sua permanência no São Paulo dependerá dos reforços que a diretoria conseguir contratar para 2022. O clube vive uma grave crise financeira e terá dificuldades para buscar jogadores badalados para a próxima temporada.

Na entrevista coletiva após a derrota por 2 a 0 para o América-MG, em Belo Horizonte, pela última rodada do Brasileirão, Ceni deixou claro que vê a necessidade de acrescentar opções ao grupo de jogadores.

– Sobre material humano, temos bons jogadores em determinadas posições, faltam outros jogadores para complementar o tipo de elenco que a gente tem, na minha modesta opinião. Decisão de ficar ou não depende muito disso, porque não posso jogar uma história de 26 anos fora se não enxergar que temos condições de ser melhores do que fomos neste ano – afirmou o treinador.

– É momento de conversar e vamos fazer isso para ver o que é possível mudar, ver o que o clube tem como meta. Para mim é um prazer estar no São Paulo, mas tenho uma história aqui dentro e qualquer coisa de ruim que aconteça tem um peso muito grande para mim. Este é o único problema que existe. Não é falta de vontade, de querer trabalhar. Eu me importo, e talvez por me importar tanto pelo clube que acabo refletindo mais do que uma vez para ver qual a real possibilidade para 2022 – acrescentou.

Rogério Ceni assumiu o São Paulo no meio de outubro e conseguiu evitar o rebaixamento na penúltima rodada, em vitória diante do Juventude. Sob o seu comando são 13 jogos, cinco vitórias, três empates e cinco derrotas.

O treinador lamentou a 13ª colocação da equipe ao término do Brasileirão. Os 48 pontos foram os piores da história do clube na competição.

– O São Paulo, não lembro ao menos, não frequentou a primeira página de classificação. Sempre quando teve a chance de entrar, seja no início, no meio do campeonato ou na fase final, não conseguiu dar esse passo. Hoje, com a vitória, terminaríamos em nono, se não me engano, mas perdemos e acabamos em 13º. Essa posição não condiz com a grandeza do clube e é algo que me preocupa, se teremos condições para brigarmos por uma posição melhor do que a deste ano em 2022 – analisou.

Enquanto o elenco ganha férias, Rogério Ceni irá se reunir com a diretoria nesta sexta para iniciar o planejamento para a próxima temporada.

O treinador já apresentou alguns nomes que deseja para a direção, mas a dúvida é se ele será atendido em todas elas.

Veja outras respostas da coletiva:

Questionamentos de torcedores
 De maneira nenhuma (incomoda ou influencia para a permanência). Eu tenho carinho muito grande e sempre fui muito bem tratado pelo torcedor. Eu me preocupo com o tamanho dessa história para que não seja apagada ou manchada com uma campanha ruim, rebaixamento, coisa que o São Paulo flertou até o fim do campeonato. Não consigo entender parte da torcida a que você se refere, porque sempre fui bem abordado pelos são-paulinos.

Seria melhor ter assumido em 2022?
– Sem dúvida teria sido. Quando o presidente conversou pela primeira vez, seria melhor começar o ano de 2022 pela pré-temporada e ajustes. Mas ele disse que precisava naquele momento, e como era o São Paulo, vim pela necessidade que tinha de ajuda que o clube disse precisar. Por isso estou aqui, coloca-se em risco uma carreira vitoriosa de atleta, mas era o que precisava ser feito no dia que fui convidado ir ao Morumbi. Eu resolvi arriscar o São Paulo para não ver o São Paulo como outros grandes clubes se encontram nesta noite.

Grandes sofrendo
– Não sei do que aconteceu no Grêmio, um clube muito tradicional. Triste ver clube já campeão brasileiro, com a história do Grêmio, e recentemente ganhando títulos, estar na Série B. Parece estar longe da gente sempre, mas acontece. Não tenho conhecimento suficiente para falar sobre o Grêmio, não posso me aprofundar neste assunto.