Colegiado julgou manutenção de determinações de Mendonça, inclusive a que decidiu pela prisão do banqueiro. Julgamento ocorreu no plenário virtual.
Por Márcio Falcão, TV Globo e g1 — Brasília
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (20) para manter a prisão de Daniel Vorcaro e outros investigados por tentativa de atrapalhar as investigações do caso Master. O ministro fez ressalvas em seu voto.
“Guardo reservas em relação ao uso de conceitos elásticos e juízos morais, como ‘confiança social na Justiça’, ‘pacificação social’ e ‘resposta célere do sistema de Justiça’, como atalhos argumentativos para fundamentar a prisão preventiva”, afirmou o ministro.
“Com essas ressalvas e por esses fundamentos, referendo, por ora, a decisão proferida, sem prejuízo de eventual reavaliação das medidas, após a devida manifestação da Procuradoria-Geral da República”, escreveu Gilmar.
O ministro afirmou que a contratação de influenciadores para atacar o BC e repasses para o pai de Vorcaro justificam a prisão do banqueiro. Gilmar Mendes criticou vazamentos das invetigações e relembrou a Operação Lava Jato.
Mendes fez uma defesa indireta do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, que foi questionado pelo ministro André Mendonça, que autorizou a prisão, pelo posicionamento da PGR de que não havia urgência para deliberar sobre prender ou não Vorcaro.
“Disso não decorre, entretanto, que a oitiva do titular da ação penal, ainda que em momento imediatamente posterior não seja imperativa e muito menos que a manifestação da PGR solicitando prazo para a devida análise do material carreado aos autos mereça repreensão”, afirmou.
Mendes foi o último a votar, formando unanimidade pela prisão do empresário. O julgamento na Segunda Turma do STF começou no dia 13 de março, no plenário virtual, data em que foi formada maioria para manter a detenção.
Os ministros Luiz Fux e Nunes Marques seguiram o entendimento do relator do caso, André Mendonça.
Relator inicial do caso Master e integrante da Segunda Turma, o ministro Dias Toffoli não participa do julgamento porque reconheceu sua suspeição, por razões de foro íntimo, a partir da 3ª fase da Operação Compliance Zero.
Vorcaro foi preso no dia 4 de março por ordem do ministro André Mendonça, que assumiu a relatoria das investigações do caso Master. Nesta quinta-feira (19), ele foi transferido da Penitenciária Federal em Brasília para a Superintendência da Polícia Federal.

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