Caso De Arrascaeta mostra que jogador e clube são refém do craque

De Arrascaeta tem uma lesão no tornozelo e esta foi a razão de não ter enfrentado o Vasco, na quinta-feira (15). Só para deixar claro, ninguém aqui está duvidando disto. Mas ele não jogou em meio a uma discussão sobre seu aumento salarial, que o Flamengo não tem condição de oferecer neste momento. Estamos em meio à pandemia e a receita rubro-negra caiu perto de um terço em um ano.

Ninguém nega o talento de De Arrascaeta. Mas De Arrascaeta não vive numa bolha, em que só ele não perceba que não há dinheiro sobrando no mercado.

De toda a informação desta semana, a mais surpreendente é a de que o empresário uruguaio, Daniel Fonseca, cobra o Flamengo da compra de uma porcentagem a mais do contrato com o Defensor. Se De Arrascaeta cumprisse quatro mil minutos, o Flamengo seria obrigado a fazer isto. De Arrascaeta bateu na trave e o Flamengo não comprou.

Mas compraria, se o mundo estivesse em momento normal. Agora, não dá.

Mas Daniel Fonseca, brilhante atacante do Nacional, Cagliari, Napoli, Roma e da seleção uruguaia na Copa do Mundo de 1990, decidiu que tinha de cobrar.

Que vantagem De Arrascaeta leva se o Flamengo comprar nova porcentagem do Defensor? Só quem pode levar, em teoria, é o empresário, por alguma eventual comissão pelo negócio ou por possuir acordo prévio com direito a uma parte dos direitos do jogador.

O Flamengo não tem nada a ver com isto. De Arrascaeta tem contrato até 2023 e tem de cumprir. Simples assim.

Mas os clubes criaram condições de dependência dos agentes. Não se trata aqui do Flamengo, mas do exemplo do Atlético, que deve R$ 40 milhões a um empresário. Este mesmo agente tem a receber perto de R$ 100 milhões dos doze maiores clubes do país. A maior contratação do país, em todos os tempos, foi Pedro, que custou R$ 87 milhões ao Flamengo.

E um empresário tem R$ 100 milhões em débitos a receber dos clubes.

Deu para entender por que o futebol brasileiro está quebrado?