Uniforme de Amílcar Barbuy, que esteve nas primeiras conquistas da história do Brasil, foi utilizado em título do Campeonato Sul-Americano e vendido pela família a colecionador
Por Débora Carvalho, Emilio Botta, Felipe Ruiz e Júlio Silva — São Paulo
O uniforme mais antigo da seleção brasileira ainda existente é mais velho do que a própria Copa do Mundo. Com mais de um século de história, a camisa pertenceu ao meio-campista Amílcar Barbuy, ídolo do Corinthians e do Palestra Itália, atual Palmeiras. Amílcar foi campeão dos dois primeiros títulos da história do Brasil. A Seleção conquistou o Campeonato Sul-Americano, atual Copa América, nos anos de 1919 e 1922.
A camiseta atravessou gerações. Foi guardada por Amílcar Filho por décadas, sempre com a convicção de que se tratava do uniforme que o pai vestiu no título do Campeonato Sul-Americano de 1919, o primeiro torneio vencido pela Seleção.
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Camisa da seleção brasileira de 1919/22 — Foto: Diro Blasco
Anos depois, Amílcar Filho soube de especialistas que as características do tecido e do acabamento estão mais próximas do modelo utilizado em 1922.
A dúvida do torneio exato em que o uniforme foi utilizado ainda permanece, mas não diminui a dimensão histórica da peça. Trata-se de uma camisa centenária de uma das duas primeiras conquistas da história do Brasil.
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Amilcar Barbuy Filho, filho do ex-jogador de Corinthians e Palmeiras — Foto: Leonardo Lourenço
À época, a camisa da Seleção era branca, com detalhes em azul na gola e nas mangas. A tradicional “amarelinha” só seria adotada após o Maracanazo, como ficou conhecida a derrota para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950.
A camiseta centenária tem elementos raros no futebol profissional moderno. O cordão de amarração no peito para ventilação e o escudo costurado manualmente no tecido, no estilo “pano sobre pano”, são exemplos de detalhes que não são mais vistos nos uniformes.
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Uniforme seleção brasileira 1919/22 — Foto: Diro Blasco
Depois de anos na coleção dos descendentes de Amílcar Barbuy, o uniforme hoje pertence à família do engenheiro eletrônico Valter Bento Silveira. Ele explicou ao ge que o filho, Bruno, foi quem adquiriu a peça com a família de Amílcar. Para Silveira, o valor histórico da peça é evidenciado nos detalhes da peça.
– O logo da camisa é aplicado. Tem também essa amarração no peito e o botão, que deixa a peça quase como uma camisa social. É, sem dúvida, a peça mais rara da coleção da nossa família – conta Valter.
De acordo com Bruno Silveira, o interesse pela peça surgiu após a leitura de um livro sobre a história de Amílcar. Com mais de 250 camisas em sua coleção, Bruno conta que manteve contato por dois anos com o neto do jogador até o momento da aquisição.
Além da camisa, a família também adquiriu o calção utilizado pelo campeão sul-americano. O conjunto completo revela características dos uniformes nos primórdios do futebol sul-americano.
Detalhes únicos
O jornalista e pesquisador Celso Unzelte, que analisou a peça de perto, reforça a raridade do material. De acordo com o especialista, o cuidado com o uniforme ao longo dos anos permitiu sua preservação por mais de um século.
Unzelte destaca ainda características curiosas do conjunto completo. O calção, por exemplo, não era ajustado por um cordão na frente, mas por ilhoses na parte de trás. A própria camisa, segundo ele, aparenta ser de um tamanho infantil, devido ao encurtamento ao longo dos anos.
– A peça certamente é, até onde se sabe e até que apareça outro, o uniforme de jogo mais antigo da Seleção Brasileira ainda existente – explica Celso Unzelte.
Quem foi Amílcar Barbuy
Amílcar Barbuy foi um dos grandes nomes do futebol paulista nas primeiras décadas do século XX. O jogador começou a se destacar no futebol pelo Botafogo do Bom Retiro, equipe da várzea de São Paulo.
O atleta chegou ao Corinthians em 1913. No entanto, a relação da família Barbuy com o alvinegro já existia. O irmão de Amílcar, Hermógenes Balbuy, era litógrafo e foi responsável por desenhar os primeiros distintivos do clube.
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Almica Barbuy no Memorial do Corinthians — Foto: Leonardo Lourenço
Amílcar atuou por sete temporadas no Palestra Itália. No alviverde, o jogador voltou a levantar o troféu do estadual por mais três vezes.
Em janeiro de 1929, Amílcar liderou o selecionado paulista ao título do Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais de 1929, contra os rivais cariocas. A postura do jogador em campo repercutiu nos jornais da época, que o apelidaram de “Generalíssimo”.
Depois de dois títulos do Campeonato Sul-Americano pela Seleção Brasileira e de sete estaduais pelos rivais paulistas, Amílcar embarcou rumo à Itália. No continente europeu, o Generalíssimo começou sua carreira de treinador na Lazio, no início da década de 1930.
Veja outras fotos da histórica camisa da seleção brasileira:
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Uniforme seleção brasileira 1919/22 — Foto: Diro Blasco
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Camisa da seleção brasileira de 1919/22 — Foto: Diro Blasco
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Camisa da seleção brasileira de 1919/22 — Foto: Diro Blasco
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Camisa da seleção brasileira de 1919/22 — Foto: Diro Blasco
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Camisa da seleção brasileira de 1919/22 — Foto: Diro Blasco
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Uniforme seleção brasileira 1919/22 — Foto: Diro Blasco
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Uniforme seleção brasileira 1919/22 — Foto: Diro Blasco

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