Brasil bate recorde de média móvel de mortes pelo sétimo dia consecutivo e de casos pelo terceiro

RIO — O Brasil bateu, pelo sétimo dia consecutivo, o recorde de média móvel de mortes: 1.423. O cálculo é 52% maior do que o registrado duas semanas atrás. Nas últimas 24h, o país contabilizou 1.760, elevando para 262.948 o total de vidas perdidas para o novo coronavírus.

Infográfico: Números do coronavírus no Brasil e no mundo

Os dez dias com maior média móvel de mortes por Covid-19 no Brasil:

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  • 05/03/2021 com média de 1.423 mortes
  • 04/03/2021 com média de 1.361 mortes
  • 03/03/2021 com média de 1.332 mortes
  • 02/03/2021 com média de 1.274 mortes
  • 01/03/2021 com média de 1.223 mortes
  • 28/02/2021 com média de 1.208 mortes
  • 27/02/2021 com média de 1.180 mortes
  • 19/02/2021 com média de 1.151 mortes
  • 10/02/2021 com média de 1.151 mortes
  • 25/02/2021 com média de 1.150 mortes

Desde 20h de quarta-feira, 75.337 novos casos foram notificados pelas secretarias de saúde, totalizando 10.871.843 infectados pelo Sars-CoV-2. A média móvel foi de 59.150 diagnósticos positivos, o maior número desde o início da pandemia (marca batida pelo terceiro dia seguido) e 27% maior do que o cálculo de 14 dias atrás.

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A “média móvel de 7 dias” faz uma média entre o número do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda dos casos ou das mortes. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados abafando o ruído” causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

Vinte seis estados e o DF atualizaram seus dados sobre vacinação contra a Covid-19 nesta sexta-feira. Em todo o país, 7.941.173 pessoas receberam a primeira dose de um imunizante, o equivalente a 3,75% da população brasileira. A segunda dose da vacina, por sua vez, foi aplicada em 2.611.071 pessoas, ou 1,23% da população nacional.

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Os dados são do consórcio formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até as 20h. A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

União de prefeituras pela vacina

Prefeitos de 1.703 cidades, entre elas 24 capitais brasileiras, já aderiram ao consórcio Conectar, lançado pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP) para a compra de vacinas contra a Covid-19. Ao anunciar a adesão das prefeituras, na tarde desta sexta-feira, o presidente da FNP, Jonas Donizette repudiou a fala do presidente Jair Bolsonaro, que chamou de “idiotas” os internautas que cobram nas redes sociais a compra de imunizantes pelo Ministério da Saúde, dizendo que só poderiam comprar “na casa da tua mãe”.

— Quero registrar repúdio à fala, “comprar vacina na casa da mãe”. Parece briga de crianças de escola — afirmou Donizette. — Sabemos que não está fácil, que a vacina não está disponível em qualquer esquina, mas temos de fazer um esforço para ir atrás.

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No total, os municípios representam cerca de 125 milhões de brasileiros, mais da metade da população do Brasil, estimada em cerca de 210 milhões de pessoas. Aderiram ao consórcio as prefeituras das maiores capitais do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre, Fortaleza e Manaus, por exemplo.

Donizette afirmou que o consórcio vai atrás de todas as fabricantes que tiverem vacinas aprovadas no mercado internacional e que a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil é questão de tempo, pois não há notícia de imunizante que tenha sido aprovado em algum país e rejeitado por outro.

Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta quinta-feira que o governo brasileiro irá comprar a vacina da Pfizer contra a Covid-19. Bolsonaro afirmou que a aquisição só foi possível após o Congresso aprovar o projeto que autoriza a União a assumir responsabilidade por possíveis efeitos adversos dos imunizantes.

Bolsonaro disse que no mês que vem “milhões” de vacinas da Pfizer irão chegar no Brasil, mas afirmou não saber o número exato. Ele não comentou as tratativas com a Janssen, que ocorrem em paralelo.

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O presidente demonstrou irritação nesta quinta-feira com aqueles que cobram em redes sociais que o governo federal compre vacinas contra a Covid-19. Bolsonaro chamou os internautas de idiotas e disse que só poderia comprar imunizantes “na casa da tua mãe”.

— Tem idiota nas redes sociais, na imprensa, ‘vai comprar vacina’. Só se for na casa da tua mãe! Não tem para vender no mundo! — disparou o presidente a apoiadores em Uberlândia (MG).

Ainda nesta quinta, Bolsonaro disse que é preciso parar de “frescura” e “mimimi” com a pandemia de Covid-19 e questionou até quando as pessoas ficarão “chorando”. Para o presidente, é preciso “enfrentar nossos problemas”.

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Criticado pela atuação durante a pandemia do novo coronavírus, que atingiu números recordes no país nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que acredita na eficácia das vacinas e não é um ‘negacionista’. No passado, Bolsonaro disse que não vai se vacinar, além de ter colocado em dúvida diversas vezes a eficácia da CoronaVac por ter origem chinesa. Em outubro, o presidente chegou a declarar que o governo não compraria “a (vacina) da China”, que acabou sendo a primeira utilizada pelos brasileiros.

Segundo Bolsonaro, as narrativas de que a gestão atual é negacionista é “conversa para boi dormir”. Apesar disso, ele voltou a criticar na mesma conversa medidas restritivas como o ‘lockdown’, adotado atualmente em países que conseguiram conter o avanço da pandemia como Portugal e Alemanha.