Bolsonaro mostra que desconfia de Mourão e revela que Michelle tomou vacina nos EUA

Na entrevista para a revista “Veja”, o presidente Jair Bolsonaro deixou muitas declarações nas entrelinhas e repetiu as afirmações fora da realidade de sempre.

A revista destacou que ele negou a possibilidade de golpe e disse que não vai “melar” as eleições. Quando os jornalistas Maurício Lima e Policarpo Junior perguntaram se ele preparava um golpe, Bolsonaro respondeu: “Daqui pra lá a chance é zero. De lá pra cá, a gente vê que sempre existe essa possibilidade”.

Os jornalistas perguntaram o que era esse “de lá pra cá”. Ele falou dos 100 pedidos de impeachment e acrescentou: “Não tem golpe sem vice e sem povo. O vice é que renegocia a divisão dos ministérios. E o povo é que dá a tranquilidade para o político voltar”.

A pergunta seguinte foi se ele acredita que há uma conspiração contra o governo. Ele nada disse sobre o vice, mas mostrou por que fez aquela manifestação do sete de setembro. Queria mostrar que tinha povo. Resposta dele: “Quando você passa a ter o povo ao seu lado, como eu tenho, bota por terra essa possibilidade.”. Mais adiante disse que o vice tem que somar, e que Mourão não entende de político e está velho para aprender.

Os jornalistas disseram que alguns apoiadores consideraram que ele recuou por conta da divulgação da carta escrita por Temer. Ele disse que há quem queira que ele chute o pau da barraca. A revista perguntou o que significava aquele chutar a barraca. Ele respondeu o seguinte: “Queriam que eu fizesse algo fora das quatro linhas”. Uma frase assim sem sujeito.

Revelou que a primeira-dama Michelle Bolsonaro tomou vacina nos Estados Unidos, o que é um espanto. Mostra que não confia nos imunizantes daqui, distribuídos pelo Ministério da Saúde. Voltou a falar contra as vacinas e disse que a Coronavac não tem comprovação científica. Sobre sua ação na pandemia, repetiu que não errou em nada. E que a culpa da alta da inflação e do desemprego é de quem quis o distanciamento social.

Repete que seu governo controlou os gastos e arrumou a casa após o PT. “Nós estamos arrumando a casa, engordando o porquinho. Espero que o lobo mau não coma o nosso porquinho. A gente quer o bem do Brasil”

O presidente disse que a CPI não tem nenhuma credibilidade. E que o ministro Paulo Guedes continua indemissível. E que pediu a ele que o beneficio do Bolsa Familia seja de R$ 300,00.

Ao contrário do que ele diz, a  falta de confiança no governo é muito forte. A pesquisa Datafolha mostrou que a desconfiança na Presidência da República teve a maior piora: em julho de 2019, tinha a desconfiança de 31% dos entrevistados e, agora, está com 50%. Já segundo a pesquisa divulgada pelo Ipec na quarta-feira, a desaprovação chegou a 68% e os que não confiam já somam 69%.

E Bolsonaro não ajuda a mudar o quadro e reconstituir essa confiança. Ao contrário. Tem se comportado o tempo todo como um não presidente. E mostrou mais uma vez em uma entrevista a ativistas de extrema-direita alemães, em que disse que os mortos por Covid- 19 apenas tiveram suas vidas encurtadas em alguns dias ou semanas. Uma falta de sensibilidade com a dor de todos os brasileiros. Uma fala cruel.