BOLSONARO, A IMUNIDADE DE REBANHO E O CASO COVAXIN

Um dos focos da CPI da Covid no Senado é investigar se o governo federal estimulou o contágio intencional da doença no país. Em outra frente, a comissão apura suspeitas de irregularidades na aquisição da vacina indiana Covaxin.

Depoimentos e documentos colhidos pela CPI da Covid em seus dois primeiros meses de trabalho indicam que, durante a pandemia, o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) concentrou esforços na obtenção da cloroquina, ineficaz contra a doença, em vez de priorizar a aquisição de vacinas. A comissão está em funcionamento desde 27 de abril.

Essa postura em relação aos imunizantes se traduziu em:

  • Demora para fechar contrato com a Pfizer
  • Paralisação na negociação com o Instituto Butantan sobre a Coronavac
  • Compra de menos doses de vacinas do consórcio internacional Covax Facility
  • Atraso no recebimento de insumos para produzir imunizantes no Brasil

E a insistência na defesa de remédios comprovadamente sem eficácia contra a Covid resultou em:

  • Mobilização da diplomacia brasileira para conseguir mais cloroquina no exterior
  • Discussão para alterar documento a fim de ampliar a distribuição de cloroquina pelo país
  • Lançamento da plataforma TrateCov, que receitava cloroquina indiscriminadamente aos pacientes

Por outro lado, em uma atuação atípica em comparação aos demais imunizantes, o governo federal agiu em várias frentes para a importação da vacina Covaxin.

  • O Ministério Público Federal (MPF) identificou indícios de crime na compra feita pelo Ministério da Saúde de 20 milhões de doses a um custo de R$ 1,6 bilhão
  • Um servidor do Ministério da Saúde relatou ter sofrido pressão dentro da pasta para a importação da Covaxin
  • O deputado federal Luís Miranda (DEM-DF), que é irmão do servidor, disse que contou sobre as suspeitas de fraude ao presidente Jair Bolsonaro

IMUNIDADE DE REBANHO

Em diversas ocasiões, o presidente Jair Bolsonaro expôs o que pensava sobre como o Brasil superaria a pandemia: quando a maioria da população fosse infectada pelo vírus, produzindo a chamada “imunidade de rebanho”.

Também chamada de imunidade coletiva, essa estratégia consiste em atingir um ponto em que há quantidade suficiente de pessoas imunes ao vírus, o que faz com que ele deixe de circular.

Infectologistas e especialistas em saúde pública ressaltam, porém, que isso só é viável por meio da vacinação em massa da população. Do contrário, isso significaria expor as pessoas a um vírus letal e infligir um grande número de mortes que poderiam ser evitadas.