Barcelona tenta sair da crise da mesma maneira que entrou nela: gastando muito

O sorriso de Joan Laporta era difícil de ignorar. A imagem sorridente do presidente do Barcelona, gigante do futebol espanhol, cobriu quase um lado inteiro do Palms Casino Resort em Las Vegas, em um grande outdoor digital, no mês passado. O outdoor exibia outras imagens – uma de alguns jogadores do Barcelona e outra de seu técnico, Xavi Hernández -, mas logo estava de volta a Laporta.

E essa visão, de um presidente radiante na capital mundial do jogo, talvez seja o melhor simbolismo da bagunça financeira em que Barcelona se encontra atualmente e da confiança sem limites do homem que diz ter um plano para corrigi-la. O Barcelona, ​​no verdadeiro estilo de Las Vegas, está dobrando a aposta.

Uma equipe que há menos de um ano não conseguia honrar sua enorme folha de pagamento; um negócio que, com perdas de 487 milhões de euros (cerca de R$ 2,6 bilhões) no ano passado, foi descrito por seu próprio presidente-executivo como “tecnicamente falido”; um clube que atualmente está sobrecarregado com dívidas de mais de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 7 bilhões), decidiu que a melhor maneira de sair de uma crise causada por erros financeiros, altos salários e contratos extravagantes é gastar.

Vendeu um ativo do clube após o outro para arrecadar cerca de US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,7 bilhões) para ajudar a equilibrar suas finanças. No entanto, está avançando em um projeto de US$ 1,5 bilhão (R$ 8 bilhões), com financiamento arranjado pelo Goldman Sachs, para reformar e modernizar seu icônico estádio, o Camp Nou, que, devido à pressa em arrecadar fundos, terá pela primeira vez os naming rights de um patrocinador. E pagou mais dinheiro em novas contratações neste verão do que quase qualquer outro grande time da Europa, com uma nova contratação badalada anunciada com grande barulho quase semanalmente.

Os gastos desenfreados levantaram suspeitas entre os rivais do Barcelona e preocupações entre alguns de seus 150 mil sócios sobre a viabilidade financeira do clube se a grande aposta de Laporta não der certo. Mas o presidente, em uma entrevista na sede do New York Times em Manhattan, ofereceu repetidas garantias de que sabe exatamente o que está fazendo:

“Não sou um jogador”, declarou Laporta: “Corro riscos calculados”.

O risco, no entanto, tornou-se uma constante no Barcelona. Laporta foi eleito presidente pela segunda vez no ano passado, depois que seu antecessor e a diretoria anterior foram depostos pelo que resultou no colapso financeiro e esportivo simultâneo de um dos maiores clubes do mundo. Enquanto muitos esperavam que o time catalão se reconstruísse lentamente, para viver dentro de suas possibilidades em um período de austeridade humilhante, o presidente decidiu guiar o Barcelona em um curso completamente diferente. Laporta diz que não tem escolha a não ser tentar vencer todos os anos.

“É uma exigência”, disse.

Mais de US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,7 bilhões) foram arrecadados com a venda de partes dos negócios do clube. Vinte e cinco por cento dos direitos televisivos domésticos — por 25 anos — foram para um fundo de investimentos americano. O serviço de streaming de música Spotify assinou um contrato de quatro anos para colocar seu nome no Camp Nou e em um local ainda mais valioso, na parte frontal das camisas do time catalão. Na segunda-feira, o Barcelona anunciou a venda de 25% de sua empresa de produção, Barca Studios, para uma companhia de blockchain, a Socios. Está em negociações para vender parte de sua empresa de licenciamento em seguida.

FontePor Tariq Panja, The New York Times

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