Ana Paula Padrão dispensa sutiã em rotina: “Não uso mais pela obrigação de parecer recatada”

Ana Paula Padrão, de 56 anos, contou que tem dispensado o uso de sutiã e explicou o motivo em entrevista ao talk show Fala Celio, apresentado por Celio Ashcar Jr. A apresentadora relembrou a época da propaganda do “meu primeiro sutiã” e contou que antes ficava preocupada em ser vista como indecente.

“É uma fase das meninas em que elas estão mudando em tudo (…) e começamos a ser olhadas de uma maneira diferente e, naquela época, a gente tinha a preocupação em esconder algumas partes do corpo e o sutiã era um âncora muito importante. Usei sutiã décadas da minha vida, hoje uso muito menos, porque eu cansei do sutiã. Acho que nunca encontrei um sutiã 100% confortável e hoje só uso quando é parte da roupa ou porque eu quero que apareça um pouquinho, porque tem um brilho, renda, cor. Mas por causa da obrigação de usar um sutiã para parecer uma pessoa mais ou menos recatada, isso eu já ultrapassei”, contou.

“Depois dessa pandemia então, que a gente não saia de casa, eu até perdi os meus, só tenho alguns.”

Ana Paula Padrãio (Foto: Instagram)
Ana Paula Padrãio (Foto: Instagram)

Durante o bate-papo, Ana Paula também relembrou o começo da carreira e de como venceu o machismo para conquistar o seu lugar ao sol.

“Meu pai sempre foi muito importante na minha formação intelectual. Para ele, não importava as minhas características físicas, mas a minha sabedoria. O jornalismo, apesar de não ter mulheres em posto de comando nos grandes grupos de mídia, sempre tivemos jornalistas atuando em áreas muito importantes como política e economia. Quando entrei no mercado de trabalho, nos anos 80, já havia muitas colunistas em Brasília. Não havia talvez muitas correspondentes internacionais, muito menos, mulheres dispostas a ir pra guerra. Fui para muitas guerras e regiões de conflito, nunca ninguém me pediu isso. Eu sempre me pautei, sempre desejei ir e nunca foi um sacrifício! Eu não queria ser uma dona de casa cheia de filhos! Eu queria ser uma mulher que visse as coisas do mundo, que estivesse inserida num contexto corporativo maior e que pudesse almejar grandes cargos no Jornalismo. Começar a sonhar, o sonho grande, desde pequena, faz muita diferença para uma mulher. Não educar a mulher só pra ela ir na sala perguntar se alguém precisa de café, faz muita diferença na fase adulta”, relembra, que ouviu um ‘não’ no começo da carreira que a motivou a correr ainda mais atrás de seus sonhos.

“Quando eu ouço um ‘não’, eu me sinto mais desafiada. Eu não sou uma pessoa que desiste atoa. No começo da minha profissão, trabalhava em rádio, tentei emprego em uma TV que estava abrindo, na época, a TV Bandeirantes… olha que ironia do destino, estou há sete anos trabalhando na Band, que é uma rede especialmente carinhosa, mas o meu primeiro não, eu ouvi lá na Band que estava abrindo em Brasília e a pessoa que me atendeu, disse que tinha visto a minha fitinha e que era pra eu desistir, que eu nunca seria jornalista de TV, que era melhor procurar outra coisa, talvez um jornal. Eu saí de lá e pensei, que eu poderia ser uma jornalista de jornal mesmo, eu nem queria fazer televisão, mas não desisti do jornalismo e não parei de sonhar. Eu não fui derrotada naquele momento, continuei pensando na carreira que eu queria e acabei sendo convidada pela Globo para ir pra lá, após uma breve passagem pela TV Brasília, que era TV Manchete, em 1986. Fiz uma carreira que acho bem bonita, tenho muito orgulho dela na Globo, passei por várias outras emissoras na sequência e estou na Band numa outra área. Acho que se você realmente deseja e não há outra coisa que você deseje mais, acho que a sorte de alguma maneira é o resquício do seu desejo”, explicou.