O preço dos combustíveis fez disparar a inflação dos itens relacionados a transporte. A alta de 2021 foi a maior em 27 anos.
Os números da economia que batem direto no bolso são os mais fáceis de entender.
“Além da gasolina e do transporte, aumentou alimentação e nosso salário não aumenta junto. Não tem de onde tirar, não tem folga. E você pensa: ‘Vou de transporte público’, mas você fica com medo porque a gente ainda está na pandemia”, conta a bióloga Juliana Marques.
Os reajustes sucessivos de praticamente tudo que envolve transporte fizeram com que a inflação do grupo batesse os 21% em 2021. Foi a maior variação desde o começo do Plano Real, em 1994, quando os preços subiram 872%. No ano seguinte, em 1995, o índice foi de pouco mais de 17% e, em 2019, antes da pandemia, 3,57%. Em 2021, disparou.
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Inflação dos transportes — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
A inflação dos transportes é medida com base nos preços de quase 30 itens que têm a ver com o deslocamento. Em 2021, só o transporte escolar não ficou mais caro. Afinal de contas, os estudantes passaram muitos meses assistindo às aulas de casa. Isso mostra que a alta foi generalizada. Mas ainda assim os economistas dizem que dá para apontar os maiores culpados.
“A culpa é da gasolina, ela subiu muito em reais. Você tem o aumento do petróleo em 50% no ano passado, alguma desvalorização do câmbio entre 7% e 9%, isso fez com que a gasolina ficasse mais cara para o brasileiro”, ressalta Marcelo Kfoury Muinhos, economista da FGV/EESP.





