Administrativos da Educação pedem apoio e deputados intercedem junto ao Governo

Servidores administrativos da rede estadual de ensino lotaram o plenário Deputado Júlio Maia, durante a sessão plenária desta quarta-feira (20/9). Eles pediram apoio aos deputados para a mobilização da categoria por reajuste salarial acima dos 2,94% de aumento linear proposto pelo Governo do Estado – Projeto de Lei (PL) 208/2017, que tramita na Assembleia Legislativa -, e para a incorporação do abono de R$ 200,00 mensais ao salário dos funcionários.

Presidente da Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Casa de Leis, Pedro Kemp (PT) lembrou a trajetória de lutas da categoria e defendeu reajuste diferenciado aos servidores. “É inegável que esses profissionais, que cuidam da merenda, da limpeza da escola, da supervisão, entre outras atribuições, são os mais prejudicados com esse aumento proposto. Entendemos a situação financeira difícil do nosso Estado, mas o Governo deve dar prioridade a quem ganha menos e acabar com essa política atrasada de abono”, explicou. “Fazemos aqui um apelo para que o governador Reinaldo Azambuja repense sua posição”, complementou.

Kemp também cobrou informações do Executivo com relação à Resolução 2.999 da Secretaria Estadual de Educação (SED), publicada no Diário Oficial do Estado da última segunda-feira (18/9), que designa servidores para comporem  a Comissão Especial de Credenciamento de Organizações da Sociedade Civil (OSC). Ele e o deputado Amarildo Cruz (PT) demonstraram preocupação. “Como o Governo vai cadastrar essas organizações para atuarem junto à educação pública? Temos que entender isso”, disse Kemp.

“Ao que nos parece o Governo quer terceirizar a educação e isso não vamos admitir”, reforçou Amarildo Cruz. Ele reiterou que o momento “é histórico para corrigir as injustiças com um grupo de servidores que é imprescindível para a população do Estado”. “Quero crer que estamos dando um passo importante e que o governador cederá ao apelo, não somente dos deputados estaduais, mas também dos profissionais. Que futuro podemos esperar de um Estado que não prioriza a educação?”, questionou.

Segundo o vice-presidente da Comissão de Educação da Casa de Leis, Herculano Borges (SD), a Casa de Leis permanecerá parceira dos educadores. “Saibam que vocês têm parceiros na Assembleia Legislativa e faremos tudo o que pudermos para auxiliar”, disse. Também membro do grupo de trabalho, Dr. Paulo Siufi (PMDB) considerou constrangedor o aumento proposto para os servidores. “Esses pouco mais de 2% para quem ganha um salário mínimo é uma vergonha e nós nos somamos a todos os servidores nessas justas reivindicações. Também faço um apelo para que o governador revogue essa resolução [Referente às OSCs]“, afirmou.

Líder da bancada do PMDB, Eduardo Rocha (PMDB) fez o compromisso de que os seis parlamentares da sigla votarão favoravelmente caso o Governo envie para a Casa de Leis o projeto de lei com novo reajuste aos administrativos. “É só o governador preparar e enviar para nós que votaremos pelos trabalhadores”, garantiu. “O Governo Reinaldo Azambuja tem uma dívida com os servidores. É impossível ficar quatro anos no comando deste Estado e não oferecer um reajuste digno aos trabalhadores”, disse Cabo Almi (PT).

O 1º vice-presidente da ALMS, Onevan de Matos (PSDB), também se colocou à disposição dos servidores. “Nada mais justo do que incorporar o abono [R$ 200,00] ao salário dos trabalhadores e vamos ajudar nas tratativas”, afirmou. O 1º secretário, Zé Teixeira (DEM), também avaliou como justa a solicitação. “Sei da dificuldade que enfrentam todos que trabalham na educação e, se o Governo enviar o projeto, podem contar com o meu voto”, disse aos administrativos.

Líder do Executivo na Casa de Leis, Professor Rinaldo (PSDB), informou que tem conversado com os dirigentes que representam os trabalhadores e buscado soluções junto ao Governo. “O que nos cabe é a interlocução e isso estamos fazendo, até porque também sou um servidor administrativo e sei como é a realidade de vocês. Mas a caneta está na mão do Executivo”, analisou. Segundo ele, representantes do governo estarão à disposição da categoria para uma reunião na próxima segunda-feira (25/9), em horário e local a serem confirmados. “Temos toda boa vontade em ajudar, porque o pleito é justo”, reiterou.

O presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), Jaime Teixeira, explicou as reivindicações da categoria e agradeceu o apoio dos deputados estaduais. “O piso dos administrativos é de R$ 805,00 desde 2015. Ano que vem, o salário mínimo será de R$ 967,00 e teremos uma defasagem ainda maior. Se há crise para todos, imaginem vocês para quem ganha menos que um salário mínimo?”, questionou. “Agradeço ao presidente Junior Mochi a forma como fomos recebidos neste espaço democrático para que pudéssemos fazer a nossa manifestação de repúdio a este Governo”, finalizou.