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segunda-feira, abril 12, 2021

A SARDENHA BLINDA SUAS FRONTEIRAS

No último dia 15 de março, devido ao alto número de pessoas infectadas, o aumento de mortes e os hospitais à beira de um colapso, o primeiro-ministro italiano Mario Draghi decretou um novo lockdown em todo o território. A medida seguirá em vigor até o dia 6 de abril, dois dias após o domingo de Páscoa. Das 20 regiões italianas, 10 se encontram na fase vermelha e 10 na laranja.

Até sexta-feira (19), a ilha da Sardenha, no mediterrâneo, no sul do país, ocupava uma posição privilegiada: era a primeira e única área geográfica classificada como faixa branca por manter o número de casos sob controle, ou seja, índice inferior a 250 casos por semana para cada mil habitantes. A conquista, porém, durou apenas três semanas.

A partir de segunda-feira (22), a Sardenha volta à fase laranja com o fechamento de bares e restaurantes, mas mantém o veto aos turistas. A entrada na ilha – por via aérea ou marítima – só será permitida por motivo de trabalho ou saúde e apresentação de atestado de vacinação ou teste PCR negativo.

Isolada, a Sardenha passou na última semana a ser “sonho de consumo e moradia” para milhares de italianos que, há mais de um ano, vivem sob ameaça da Covid-19. O temor de que a região fosse literalmente invadida por turistas e proprietários de casas fez com que o governador Christian Solinas blindasse a sua área até o dia 6 de abril. O decreto, assinado há dois dias, não foi contestado pelo governo italiano.

“Temos mais de 223 mil casas de veraneio, incluindo também as de propriedade de moradores da região, mas não podemos correr nenhum risco de abrir nossas fronteiras”, comentou Christian Solinas durante a coletiva de imprensa na quinta-feira (18).

Mario Draghi, primeiro-ministro da Itália, decretou novo lockdown Foto: AM POOL / Getty Images
Mario Draghi, primeiro-ministro da Itália, decretou novo lockdown Foto: AM POOL / Getty Images

Apesar de dar adeus à fase branca, a Sardenha é, sem dúvida, um caso a ser observado e talvez seguido por outras regiões no país. Com uma população de mais de 1 milhão e meio de habitantes, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (Istat), espalhada por 377 cidades que compõem 4 províncias, a ilha, nos últimos meses, demonstrou que um trabalho intenso de prevenção contribuiu para manter sob controle o contágio.

“As principais medidas adotadas foram: intensa campanha de comunicação e testes PCR e antígenos por província. Dessa forma, conseguimos isolar os casos e conter a propagação do vírus para outras localidades”, explica por telefone à ÉPOCA, Massimo Temussi, comissário extraordinário da Ares Sardenha, a agência regional de saúde da região.

Mesmo na fase branca, a população era obrigada a usar máscaras e manter o distanciamento social. Nos últimos vinte dias, academias, bares, restaurantes e museus voltaram a funcionar com horários mais flexíveis, com abertura até às 21h e 23h. Nas escolas, os alunos do ensino infantil e fundamental voltaram às salas de aula enquanto os do ensino médio permanecem em modalidade online.

“Mantivemos o toque de recolher às 11 da noite mas podemos dizer que alcançamos um grande resultado”, comenta Massimo Temussi ao falar sobre os privilégios de viver em um território na faixa branca.

Na fase laranja, os moradores irão perder alguns privilégios conquistados a duras penas. Bares e restaurantes terão horários limitados até às seis da tarde e as academias fecham as portas.

A linha dura adotada pelo governador Christian Solinas em fechar as fronteiras principalmente para proprietários de casas de veraneio e turistas pode se estender além do dia 6 de abril. Tudo dependerá dos números de mortes e pessoas infectadas  não só na Sardenha mas em outras regiões.

“A nossa esperança é abrir completamente durante as férias. A nossa esperança agora é a vacinação em massa”, explica Massimo Temussi.

Turistas na praia em Porto Cervo, na Sardenha, em agosto de 2020 Foto: Emanuele Perrone / Getty Images
Turistas na praia em Porto Cervo, na Sardenha, em agosto de 2020 Foto: Emanuele Perrone / Getty Images

PROTEÇÃO AOS VILAREJOS

A Costa Esmeralda, o epicentro do turismo de luxo entre Porto Cervo e Porto Rotondo, na paradisíaca ilha da Sardenha, não quer ser mais lembrada como foco da Covid-19 depois da reabertura em agosto do ano passado. A experiência valeu como lição.

“Temos mais de 2 mil casas de veraneio nessa parte da costa nordeste. Nosso medo é que, nesse momento, haja uma invasão em massa de turistas vindos de cidades em fase vermelha”, comenta por telefone à Época, o prefeito de Arzachena, um dos apoiadores do decreto do governador Christian Solinas. “Só na nossa cidade temos 14 mil habitantes e até o momento somente 14 casos. Não quero que esse número aumente em hipótese alguma”. 

Proteger os pequenos burgos e os vilarejos que ficam entre Porto Cervo e Porto Rotondo é fundamental. “Nessa parte da ilha temos poucos hospitais e médicos. Seria um suícido abrir agora”, analisa o prefeito Roberto Ragnedda que se disse aliviado com a blindagem da sua cidade que desde janeiro vem recebendo  telefonemas sobre procedimentos para comprovação de residência.

“Registramos até o momento 25 pedidos de ‘imigração’. O importante, porém, é que as pessoas saibam que esse não é o momento de emigrar. Tenho certeza que no meio do ano, durante o verão, poderemos acolher não só os italianos mas também os turistas, em especial, russos, americanos, ingleses e árabes. Todos já vacinados”. Por enquanto, a Sardenha, branca ou laranja, é uma forte contra a Covid-19 e forasteiros.

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