Denilto Freire, de 18 anos, descobriu o autismo aos 13 anos de idade. A família que mora em Dourados (MS) luta diariamente para que o jovem tenha uma vida totalmente normal. Universitário, para ele uma das maiores dificuldades é a interação: “As pessoas não precisam ter receio de fazer amizade”, desabafa.
A irmã de Denilto, Mayara, conta que o conhecimento é fundamental para quem convive com autistas. Ela explica que essa ideia de que o autista vive em seu próprio mundo e não tem amigos, afasta as pessoas:
“Ele quer fazer amizades, mas não sabe como iniciar. As pessoas ‘entenderam’ de alguma forma que autista não se comunica e isso não é verdade.”
Denilto conta que, entre as dificuldades do dia-a-dia, a interação social é uma das mais desafiadoras. Segundo o acadêmico, as pessoas têm receio até mesmo de conversar.
Diagnóstico tardio
De acordo com a família, Denilto teve um laudo tardio. Mesmo passando por vários médicos desde criança, foi só na adolescência que a família teve o diagnóstico e direcionou o tratamento de maneira mais eficaz. Ela e a mãe, Rozenilda Salgueiro Freire, lembram que a família procurou vários profissionais.
“Quando soubemos o que havia, a ficha parece que caiu, e foi doloroso mas ao mesmo tempo nos permitiu procurar tratamento adequado. Sentimos que esse diagnóstico tardio nos tirou anos de tratamento, que poderia contribuir para a evolução dele desde criança”.
Para a irmã, falta informação sobre a doença e alguma boa-vontade na convivência:
“Eu já fui em lojas como ele, por exemplo, em que ele perguntou algo e a pessoa respondeu para mim. Infelizmente há muito preconceito, é necessário que as pessoas estejam abertas a estas relações, seja no ambiente escolar, comercial, de trabalho, lazer e pessoal. Podemos ter amigos autistas”.
Em 2019 o jovem ingressou na faculdade, onde cursa Ciências Biológicas em Dourados (MS), e mesmo com todas as dificuldades, Denilto é só orgulho para os pais e a irmã. Na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) onde estuda, três alunos com Transtorno Espectro Autista (TEA), recebem apoio através de um núcleo multidisciplinar.





