A juíza da Comarca de Água Clara (MS), Camila de Melo Mattioli Gusmão Serra Figueiredo, pediu nesta segunda-feira (21) o afastamento do oficial de justiça Gustavo Gimenez Guiraldelli, que também é vereador na cidade. O motivo, segundo a decisão, é a suposta aquisição de drogas pelo servidor, no fórum da cidade. Guiraldelli continua exercendo o mandato como vereador, a decisão diz respeito somente às suas funções como oficial de justiça.
No dia 11 de janeiro, a Polícia Civil de Água Clara teve acesso a áudios que estavam no celular de um homem preso e indiciado por tráfico de drogas em uma operação na cidade. Nas gravações, o suspeito, que era mototaxista, dizia ter entregue “a pedra” para o servidor, e este respondia relatando que guardou-a no bolso, tomou chuva e ela teria “esfarelado”, por isso, precisava de mais.
No áudio, ele pede “traz mais uma aqui, por R$50”. O servidor diz, em seguida, que está no fórum, e pede que o mototaxista entregue a droga lá: “Cola aqui no fórum, eu tô aqui, só tô eu aqui. Cola aqui no fórum rapidão, agora, agora, agora”, diz na gravação.
O advogado de defesa do servidor, Tiago Martinho, disse que tomou conhecimento da decisão da juíza na noite desta segunda (21), e que o afastamento preventivo faz parte da apuração: “Estranho que o procedimento não seja sigiloso, como é a praxe. Meu cliente vai prestar os esclarecimentos necessários, e certamente isso será resolvido”, declarou.
O advogado disse ainda que os áudios que baseiam o inquérito foram obtidos de forma irregular: “Registro que não há qualquer crime praticado, já que não há materialidade e o áudio vazado é uma prova ilícita. Importante destacar também que a polícia civil instaurou procedimento para apurar eventual crime pelas circunstâncias do vazamento desses áudios”, afirma.





