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Próxima do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), a advogada Camilla Ramos, esposa do desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) Newton Ramos, bancou uma viagem do magistrado para Maceió. Segundo mensagens que constam no celular de Daniel Vorcaro, o Banco Master firmou com o escritório de Camilla um contrato para a liberação de pagamentos de precatórios cujos honorários poderiam chegar a R$ 427 milhões. Diálogos obtidos pela Polícia Federal (PF) mostram que Camilla e o desembargador eram definidos por assessores de Daniel Vorcaro como a “turma do KN”, em referência a Nunes Marques. Além de custear favores de luxo para o ministro do STF, Camilla chegou a contratar o cantor Wesley Safadão para a celebração de 15 anos da filha.
Como revelou o portal Metrópoles nesta segunda-feira (21), o contrato estabelecia o pagamento de 5% em honorários líquidos de êxito sobre o valor recebido em 12 processos, estimado em R$ 8,5 bilhões. As mensagens exibidas pelo Metrópoles vão do final de 2024 a maio de 2025.
Nesse meio tempo, em fevereiro de 2025, a advogada promoveu uma festa de 15 anos para sua filha em Brasília, conforme divulgado pelo jornal Estadão. O evento, exibido nas redes sociais da advogada, teve Wesley Safadão como atração surpresa no ano passado.
Um dos diálogos divulgados pelo Metrópoles mostra Camilla enviando a Vorcaro uma mensagem em que comemora a “grande vitória” em um julgamento de precatórios de interesse do Master no Supremo, em junho de 2025. Ela destaca ao banqueiro o “excelente voto de Nunes Marques”.
Kassio confirmou que em novembro de 2025 viajou em um avião pago por Camilla. O destino foi Maceió, para a festa de aniversário da advogada. O ministro afirmou que a relação tem “caráter pessoal”, sem contrapartidas por sua atuação no Supremo.
Anteriormente, conversas extraídas do celular do banqueiro mostraram que ele custeou uma mansão para o “ministro KN” passar o carnaval de 2025 no Rio de Janeiro. Camila, que confirmou a estadia, também esteve presente na casa acompanhada do marido.
“Ministro Kassio me pediu para ver se vocês conseguem para ele uma tarifa promocional no Fasano. Só uma diária. Entrando sexta e saindo sábado. Recebi essa mensagem do Newton. OK para você?”, escreve a assessora, e Vorcaro responde: “Pode botar na minha conta”.
Procurado pela equipe da coluna, Newton destacou, em nota, que ele e Camilla já mantinham uma “relação pessoal” com Vorcaro “antes dos fatos ora objeto de investigação”, e afirmou nunca ter julgado “qualquer causa” de interesse do Banco Master.
Já o Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, do qual Camilla é sócia, afirmou que “sempre manteve relação profissional com o Banco Master, mediante contrato formal e escrito, para prestação de serviços jurídicos em processos envolvendo precatórios adquiridos pela referida instituição financeira”. Em nota, o escritório ressaltou que nenhum dos casos em que atua se encontra em tramitação no STF.
“Vale destacar que o escritório não possui qualquer vínculo com o ministro Kassio Nunes Marques. Toda a atuação de Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia em defesa do Banco Master ocorreu regularmente, dentro dos limites legais e mediante a devida habilitação nos respectivos processos”, diz outro trecho do comunicado.
Usina Alcídia
Como mostrou a equipe do blog, Vorcaro atuou para tentar influenciar o voto de ministros da Segunda Turma do STF em casos envolvendo precatórios de interesse do Master no setor sucroalcooleiro. Um dos alvos foi Gilmar Mendes, em um processo relativo a um precatório da usina Alcídia, em que o decano acabou votando contra os interesses do banqueiro.
O processo sobre a Alcídia foi alvo de uma série de interrupções. Em 15 de março de 2024, Gilmar pediu um destaque e, dez dias depois, quando a análise do caso foi retomada, o ministro pediu um novo destaque, interrompendo mais uma vez a discussão. Em 26 de agosto de 2024, o decano voltou a agir: cancelou o pedido de destaque.
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Quando o processo retornou à pauta, em 18 de setembro, foi a vez de Kassio Nunes Marques pedir vista. Ao devolver o processo, o ministro votou de acordo com a tese defendida por Vorcaro e formou maioria para definir o resultado do julgamento.
O processo foi finalmente julgado em outubro de 2024, quando a usina derrotou a União por 3 a 2. Os dois votos que ficaram do lado da União vieram de Gilmar Mendes e de André Mendonça, com quem o ministro tem travado atualmente uma guerra pública por conta da condução das investigações do caso Master. Os três ministros que votaram a favor da tese que interessava a Vorcaro foram Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.
Suspeição
No julgamento sobre a validade do relatório da Polícia Federal que identificou 52 mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, Nunes Marques afirmou que na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não se sentia “confortável” para participar da análise do caso e por isso se declarou impedido.
Diálogos obtidos pela PF também revelaram que Vorcaro teria pago R$ 10 mil para que uma garota de programa dormisse com o magistrado e discutido com o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, sobre um pagamento mensal de R$ 500 mil a Kevin de Carvalho Marques, filho de 25 anos do ministro que é advogado e tem ganhado crescente influência no Judiciário.
Como revelou o Estadão em março, o Banco Master repassou R$ 6,6 milhões à Consult, empresa de consultoria que fez pagamentos entre agosto de 2024 e julho de 2025 a Kevin.





