Entenda como o River Plate virou potência financeira da América e conseguiu contratar Almada

Por Fred Gomes — Rio de Janeiro

O River Plate se consolidou como potência financeira da América do Sul e deu enorme demonstração de força nesta semana ao vencer a concorrência do Flamengo por Thiago Almada. A ascensão econômica que faz jus ao apelido Millonario tem dois pilares: a exploração comercial do ampliado Monumental de Núñez e o programa de sócios.

Monumental de Núñez, casa do River Plate, visto de cima — Foto: Divulgação

Monumental de Núñez, casa do River Plate, visto de cima — Foto: Divulgação

  • Thiago Almada (meia) – US$ 23 milhões (R$ 177,76 milhões)
  • Ángel Correa (meia-atacante) – US$ 15 milhões (R$ 76,78 milhões)
  • Lucas Beltrán (centroavante) – US$ 500 mil (R$ 2,6 milhões) pelo empréstimo junto à Fiorentina e futuros US$ 7,2 milhões (R$ 36,85 milhões) da obrigação de compra exigida ao término do período de cessão.
  • Tobias Andrada (meio-campista) – US$ 7,4 milhões (R$ 37,88 milhões)
  • Mauro Arambarri (meio-campista) – US$ 7 milhões (R$ 35,8 milhões)
  • Borré (atacante) – US$ 2,5 milhões (R$ 12,8 milhões)
  • Giovanni González (lateral-direito) US$ 500 mil (R$ 2,6 milhões)
  • Otamendi (zagueiro) – livre

 

Antes da contratação de Almada, o site Transfermarkt, portal especializado em transferências, avaliava o elenco do River Plate em aproximadamente R$ 825 milhões. Com a chegada do ex-botafoguense, tal quantia supera a cifra de R$ 1 bilhão.

Thiago Almada pela seleção da Argentina — Foto: Florencia Tan Jun - FIFA/FIFA via Getty Images

Thiago Almada pela seleção da Argentina — Foto: Florencia Tan Jun – FIFA/FIFA via Getty Images

Faturamento superior a R$ 1 bilhão

 

Detalhado nos balanços mais recentes do clube, o faturamento anual foi de US$ 217,7 milhões (R$ 1,23 bilhão), número que o coloca no páreo com Flamengo e Palmeiras, os dois brasileiros mais ricos na atualidade.

O clube conseguiu equilíbrio fiscal que lhe permitiu um superávit anual de R$ 196 milhões. O fluxo de caixa foi composto por diferentes receitas: R$ 309,7 milhões com a vaga para a Copa de Clubes da Fifa, jogada em 2025; R$ 297 milhões com o programa de sócio-torcedor, o maior da América do Sul, com 300 mil associados; R$ 231 milhões com patrocínios, R$ 207 milhões com vendas de jogadores, R$ 80 milhões com operação de estádio e museu, além de R$ 71,4 milhões decorrentes dos direitos de televisionamento.

River Plate anuncia ampliação do Monumental para receber 101 mil torcedores — Foto: Divulgação/River Plate

River Plate anuncia ampliação do Monumental para receber 101 mil torcedores — Foto: Divulgação/River Plate

– A força da torcida, a capacidade de geração de receitas do maior estádio da América do Sul e o histórico de negociações de jogadores para os principais mercados do mundo permitem ao River Plate competir financeiramente em alto nível, mesmo diante de equipes com maior poder de investimento, como Palmeiras e Flamengo. É um exemplo de como planejamento, estrutura e valorização das categorias de base podem transformar um clube em uma potência econômica e esportiva – afirma Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo, evento anual que reúne clubes, entidades, empresas e profissionais ligados ao futebol.

Sócio-torcedor forte

 

Com 352 mil sócios ativos de acordo com relatórios da Associação de Futebol Argentino (AFA), o clube garante um faturamento recorrente de R$ 253,6 milhões anuais. Tal quantia se refere apenas a mensalidades. A força e a fidelidade da torcida millonaria têm como marco maior a média de 84.782 espectadores por partida. Além disso, o clube recentemente superou mais de 100 partidas consecutivas com lotação máxima.

– O que se passou com o River Plate será em poucos anos referenciado como um exemplo de exceção, em um mercado que foi política e economicamente dilapidado por duas décadas. Transformam um estádio obsoleto no seu grande diferencial, incorporando ao fluxo de caixa presente, créditos futuros, inimagináveis anos atrás – diz Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil.

Exploração comercial do Monumental

 

Transformar o Monumental de Ñúnez em polo de entretenimento foi a virada de chave para o River Plate, que fez parceria de US$ 110 milhões (aproximadamente R$ 558 milhões) com a gigante mundial do entretenimento Live Nation, em conjunto com as produtoras DF Entertainment e Dale Play Live.

O contrato de exclusividade de 10 anos possui as seguintes bases financeiras: a Live Nation pagará US$ 30 milhões fixos exclusivamente para gerenciar os direitos de nome da arena. Outros US$ 80 milhões adicionais fixados são destinados para realização de grandes shows de música. O plano prevê um mínimo de 12 megaeventos anuais, com cláusulas de divisão de lucros excedentes caso a meta desses concertos seja superada.

Torcedor José Henrique Machado em Atlético-MG 1 x 3 Botafogo, na final da Libertadores 2024 — Foto: Arquivo pessoal

Torcedor José Henrique Machado em Atlético-MG 1 x 3 Botafogo, na final da Libertadores 2024 — Foto: Arquivo pessoal

O principal, porém, vem da reforma de restaurantes, camarotes e estacionamento. Posicionados entre arquibancadas superiores e inferiores, tiveram suas capacidades aumentadas, e os espaços foram modernizado. Um desses ambientes, cujo nome é “Banda”, tem vista privilegiada para o gramado e mais 700 metros quadrados.

– O River Plate entendeu que um estádio não pode ser um ativo utilizado apenas nos dias de jogos. Quando você amplia a operação para shows, eventos, hospitalidade, gastronomia e experiências, cria uma fonte de receita recorrente e reduz a dependência de direitos de transmissão e da venda de atletas. É um modelo que mostra como a arena deixa de ser apenas a casa do clube para se tornar um verdadeiro ecossistema de entretenimento e negócios, capaz de gerar caixa, fortalecer a marca e dar mais previsibilidade para investimentos no futebol – afirma Leo Rizzo, CEO da Soccer Hospitality, empresa que possui 11 camarotes no Brasil.

River Plate anunciou financiamento de US$ 100 milhões para desenvolvimento esportivo e ampliação do Monumental

 

Em nota divulgada pelo River Plate, o clube anunciou no início do ano um financiamento internacional de até US$ 100 milhões (R$ 512,33 milhões no câmbio atual) para desenvolvimento de infraestrutura social, educacional e esportiva, bem como para a ampliação e remodelação do Estádio Monumental.

Apesar de fora da Libertadores 2026, o River Plate se consolida como força esportiva, pautada em grandes contratações e investimentos fora da caixa. Com nomes de peso, como Almada, Beltrán e Otamendi, além de um estádio que lhe permite uma arrecadação robusta, a ausência na principal competição do futebol sul-americano depois de 11 participações consecutivas parece que será lembrada como erro pontual.

FonteGE

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