Há sinais claros de que pelo menos parte ponderável da direita já abriu mão da candidatura de Flávio Bolsonaro

Por

Merval Pereira

Quando os projetos imediatos perigam, há os que desistem deles e os que se preparam para os desafios seguintes. No futebol como na política, vemos dois casos de planos adiados para 2030. Na corrida para a Presidência, há sinais claros de que pelo menos parte ponderável da direita já abriu mão da candidatura de Flávio Bolsonaro e se prepara para disputar o controle do segmento político com os bolsonaristas. Flávio está na situação especial de ser o candidato para perder. Seus aliados preferem perder com ele a ganhar com outro. O ex-presidente Jair Bolsonaro o escolheu para manter na família o controle da direita, submetendo a direita democrática aos desígnios da extrema direita bolsonarista.

Com os olhos voltados para 2030, a madrasta da família já rompeu com o enteado e se prepara para arrancar dos Bolsonaro a liderança da direita nacional, a bordo de uma presumível votação impactante na candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. Não é à toa, portanto, que os extremistas da direita, como Paulo Figueiredo, a chamam agora de Michelle Firmo, seu nome de solteira, para desvinculá-la da famiglia e esvaziar seus planos eleitorais. Os restantes continuarão unidos, tentando manter o controle da direita brasileira, por isso Bolsonaro pai não quis apoiá-la, nem ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que está às vésperas de poder vencer no primeiro turno a reeleição.

Em outros tempos, seria um reforço grande para a candidatura. Caso o governador de São Paulo participasse da campanha com o empenho dos aliados, poderia conseguir uma diferença de votos muito grande a favor do candidato de sua coligação, uma boa alavancada para Flávio, e seria um baque para a candidatura à reeleição de Lula, já que a eleição geralmente se define em São Paulo. Há a coincidência de que ninguém se elege presidente sem ganhar em Minas, que representa o país como um todo, uma amostragem do Brasil, com regiões incluídas na Sudene, outras desenvolvidas industrialmente, outras representando o agronegócio, outras ainda vizinhas ao Rio de Janeiro. Mas é fundamental vencer em São Paulo.

Liberado da campanha de governador, Tarcísio poderia trabalhar para a eleição de Flávio. Há evidências estatísticas de que sempre que um governador de estado importante eleitoralmente vence no primeiro turno a reeleição e se dedica à campanha presidencial pode até mudar o rumo das pesquisas. Além do mais, a situação deixaria Lula sem palanque em São Paulo no segundo turno. Há ainda o fato, demonstrado nas pesquisas, de que Lula já não tem no Nordeste a maioria esmagadora que já teve. A diferença deverá ser menor a seu favor e, se a oposição conseguir ampliar a vitória em São Paulo, reduzirá a vantagem. Em 2022, a diferença a favor de Bolsonaro em São Paulo foi de 2.696.651 votos, maior que a diferença final a favor de Lula no país todo, de 2.139.645.

FontePor G1

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