Irã na Copa: após empatar com Nova Zelândia, seleção iraniana enfrenta entraves ao deixar EUA

Por Redação g1

A seleção do Irã estreou na Copa do Mundo na noite de segunda-feira (15) com um empate e também problemas na imigração dos Estados Unidos.

A equipe iraniana relatou ter recebido uma “ordem imediata” para deixar os EUA após a partida. Depois, agências de notícias do Irã afirmaram que o capitão da seleção, Mehdi Taremi, e um auxiliar da equipe foram retidos no aeroporto de Los Angeles, onde o time jogou.

➡️ A seleção iraniana empatou em 2 a 2 com a Nova Zelândia na estreia, que ocorreu em meio a tensões geopolíticas por conta da guerra que o país trava com os Estados Unidos no Oriente Médio (leia mais abaixo). Como a Copa do Mundo de 2026 ocorre nos EUA, no México e no Canadá, houve dúvidas sobre a participação do time do Irã, que foi classificado para a competição.

Após a partida, o técnico da seleção iraniana, Amir Ghalenoei, afirmou que a equipe recebeu a ordem de saída imediata de autoridades dos EUA. Autoridades de imigração norte-americanas ainda não havia se manifestado sobre a informação até a última atualização desta reportagem.

Agências de notícias estatais iranianas afirmaram ainda que o centroavante Mehdi Taremi, que é estrela da seleção iraniana, e o membro da comissão técnica Saeid Alhouei foram retidos no aeroporto de Los Angeles quando a equipe retornava para Tijuana, no México, onde está hospedada.

As agências iranianas disseram que os dois enfrentaram “atraso injustificado” nos procedimentos de checagem de passaportes e vistos na imigração do aeroporto. Eles foram liberados após as checagens, e toda a equipe já chegou de volta ao México.

Mehdi Torabi (à frente) durante o aquecimento da partida contra a Nova Zelândia. — Foto: Gary Vasquez /  IMAGN IMAGES via Reuters

Mehdi Torabi (à frente) durante o aquecimento da partida contra a Nova Zelândia. — Foto: Gary Vasquez / IMAGN IMAGES via Reuters

Para a próxima partida, que também ocorrerá nos EUA, a seleção iraniana terá de solicitar às autoridades norte-americanas um novo visto para o atacante. Segundo as agências iranianas, a Federação Iraniana de Futebol já iniciou trâmites legais para tentar emitir uma nova autorização e garantir que o atleta possa acompanhar a equipe nos próximos jogos.

As próximas partidas do Irã ocorrerão nos Estados Unidos: no sábado (21), os iranianos enfrentarão a Bélgica, em Los Angeles. Depois, jogarão contra o Egito em Seattle, em 27 de junho.

Tensões geopolíticas

A estreia do Irã da Copa ocorreu no mesmo dia em que Estados Unidos e Irã assinaram virtualmente um acordo para o fim da guerra no Oriente Médio. Os dois países haviam anunciado o acordo no fim de semana, após mais de três meses de conflito, que começou quando EUA e Israel fizeram ataques conjuntos ao território iraniano em 28 de fevereiro.

O Irã respondeu com uma série de ataques a países do Golfo Pérsico aliados dos EUA ou que sediam bases militares norte-americanos. Outra frente de guerra foi aberta no Líbano, após o Hezbollah, grupo terrorista libanês financiado pelo Irã, lançar ataques ao vizinho Israel em retaliação.

O Exército israelense vem bombardeando o território libanês desde então e enviou tropas ao sul do Líbano.

Equipe ‘mais oprimida’ da Copa

 

Antes da partida, o técnico do Irã, Amir Ghalenoei, já havia reclamado da logística de viajar logo após a partida e afirmou que sua equipe estava sendo “oprimida”.

Ghalenoei, de 62 anos, disse que eles passaram por mais contratempos, já que o time esperava passar a noite de segunda-feira em Los Angeles, mas acabou sendo obrigado a retornar imediatamente ao México. Ele não disse quem impôs a restrição.

“Devíamos ficar aqui esta noite para nos recuperarmos e voltar amanhã na hora do almoço, mas eles não nos permitiram. Para ser sincero, não faço ideia do porquê. Acho que talvez nossa equipe seja a mais oprimida de toda a Copa do Mundo”, disse.

 

Procurados pela agência de notícias Reuters para comentar as declarações, o Departamento de Estado dos EUA e a Fifa não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

Ainda no estádio, o atacante iraniano Mehdi Taremi disse que as restrições estavam impedindo a equipe de dar o seu melhor no torneio:

“Não é bom para nós. Acho que não é bom para o futebol. Acho que a Fifa precisa nos ajudar mais do que isso. É muito ruim e afeta nossa equipe, e nós só queremos paz”.

 

Permanência vetada

 

Os EUA já haviam comunicado que a seleção não poderia se manter no país durante toda a Copa. De acordo com o embaixador iraniano no México, o visto concedido aos 26 jogadores permite apenas a entrada temporária nos Estados Unidos para treinamentos e partidas.

A delegação chegou no dia 7 de junho a Tijuana, no México, onde ficará concentrada durante a primeira fase da competição.

Inicialmente, a equipe planejava se hospedar em Tucson, no Arizona, já que disputará seus três primeiros jogos nos Estados Unidos. No entanto, a guerra que começou após bombardeios coordenados por forças americanas e israelenses contra o Irã alterou toda a logística da seleção.

A decisão deixou os torcedores que já haviam feito planos de viagem impossibilitados de assistir às partidas da seleção iraniana.

Torcedores iranianos comemorar o empate contra a Nova Zelândia. — Foto: Matthew Childs / Reuters

Torcedores iranianos comemorar o empate contra a Nova Zelândia. — Foto: Matthew Childs / Reuters

FonteGE

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui