Último jogo em solo brasileiro antes da Copa ajudou a reconectar time e torcida. De quebra, deixou algumas pistas para Ancelotti
Por Douglas Ceconello
Entre tantos equívocos no ciclo preparatório para a Copa do Mundo, a CBF conseguiu cometer um acerto inquestionável ao marcar um amistoso de despedida para a Seleção em território brasileiro. Assim, foi recuperada uma tradição que havia se perdido nas últimas edições, quando o Brasil realizou seus últimos amistosos na Europa, usando como justificativa, por exemplo, as questões logísticas. Naqueles tempos, era mais fácil comparecer a um jogo do Brasil sendo morador de Londres do que vivendo no Rio de Janeiro ou em São Paulo.
Talvez tenha sido um pedido urgente de abraço. Afinal de contas, sabemos que a conexão entre a torcida e a Seleção, por diversos fatores, anda estremecida há um bom tempo — não chega a ser um divórcio, mas é uma relação que precisa ser discutida. De preferência, entre as quatro paredes do Maracanã: o público de mais de setenta mil pessoas contra o Panamá representou um movimento de abertura para resgatar os laços, talvez não rompidos, mas um tanto desfiados.
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Brasil x Panamá amistoso Maracanã 2026 — Foto: André Durão
O adversário foi escolhido a dedo para a ocasião, mas mesmo os convidados mais gentis podem se mostrar um pouco inconvenientes. Seja abrindo a porta de algum cômodo íntimo, seja evidenciando a inconsistência do meio-campo brasileiro, como aconteceu no primeiro tempo. O placar de 2 a 1 para o Brasil disfarçou o fato de que o time panamenho foi superior durante bons minutos. Os quatro atacantes de Ancelotti deixavam o meio-campo transformado em um latifúndio quase inabitado, cabendo a Casemiro desdobrar-se para cumprir o papel de articulador quase solitário — carregando piano e tocando violino ao mesmo tempo.
A Seleção voltou do vestiário com um time praticamente novo (da formação inicial, apenas Léo Pereira permaneceu), e o futebol apresentado também foi outro. É claro que a fragilidade do Panamá naturalmente relativiza qualquer conclusão precipitada. No entanto, algumas ideias podem (e devem) ser debatidas, como o fato de que o time melhorou com um meio de campo mais encorpado, com Danilo e Paquetá mostrando que podem acrescentar recursos criativos. Somados a Casemiro, com ou sem Bruno Guimarães, é possível que deixem o setor mais equilibrado. Talvez seja uma alternativa para Carlo Ancelotti testar, ao menos em parte do amistoso contra o Egito, no próximo sábado, o último antes da estreia.





