Presidente critica venda de ativos estratégicos e diz que controle estatal ajudaria a conter preços
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende retomar o controle público sobre setores estratégicos da economia, como combustíveis e energia, ao mesmo tempo em que criticou privatizações realizadas nos últimos anos.
A declaração foi feita em entrevista à TV 247, em parceria com a Revista Fórum e o DCM, nesta terça-feira (14), quando Lula abordou o impacto dessas decisões sobre preços e a capacidade de atuação do Estado.
Lula também criticou a venda de ativos da Petrobras ao longo dos anos. “A Petrobras, como não conseguiram privatizar, eles foram tentando privatizar partes da Petrobras. Então vende uma refinaria aqui, outra ali… E venderam a BR”, disse.
Ele afirmou que o governo tem adotado medidas para reduzir o impacto do preço dos combustíveis sobre a população. “Isentamos PIS e Cofins do óleo diesel, fizemos um acordo com governadores para dar uma subvenção, estamos cobrando imposto dos exportadores […] para a gente não permitir que o preço do combustível da guerra do Irã chegue ao feijão, ao preço da salada, do pão”, disse.
Lula relembrou experiências anteriores de atuação estatal no setor de gás e indicou que pretende retomar esse modelo. “No meu primeiro mandato comprei uma empresa para distribuir gás para a gente poder controlar o preço – e venderam -, ainda sonho que a gente vai ter uma empresa distribuidora de gás e de combustível”, afirmou.
O presidente também criticou o modelo de gestão adotado após privatizações. “A Eletrobras era uma empresa modelo nesse país. Ela foi vendida. E vocês sabem o jeito que ela foi vendida”, disse.
Ele apontou ainda mudanças na remuneração da direção da companhia. “Um presidente da Eletrobras ganhava R$ 60 mil quando ela era pública. Hoje deve estar ganhando por volta de R$ 400 por mês, foram milhões de bônus. Então, que moralização?”, questionou.
Por fim, Lula indicou que pretende buscar alternativas para ampliar a presença do Estado no setor energético. “Eu ainda sonho que a gente vai criar uma outra Eletrobras, ou quem sabe algo mais moderno e melhor”, concluiu.





