Mauro Cid omitiu ‘fatos graves’, adotou ‘narrativa seletiva’ e prejudicou interesse público, diz PGR

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, fez duras críticas à postura do delator Mauro Cid em suas alegações finais encaminhadas na noite desta segunda-feira (14) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). No parecer de 517 páginas, Gonet pediu a condenação de Bolsonaro, Mauro Cid e outros seis réus acusados de integrar o “núcleo crucial” de uma trama golpista para manter o ex-presidente no poder – e criticou Cid por conta do “comportamento contraditório, marcado por omissões e resistência ao cumprimento integral das obrigações pactuadas”.

Mauro Cid fechou acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal em 2023. Para Gonet, a atitude do militar ao longo da investigação, com a omissão de “fatos graves” e a adoção de uma “narrativa seletiva”, provocou “prejuízos relevantes ao interesse público”, o que exige uma “criteriosa ponderação” quanto à concessão de eventuais benefícios previstos em lei.

No parecer, Gonet descartou a possibilidade de perdão judicial e afirmou que a redução da pena para o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro deve ser fixada em “patamar mínimo” – com a diminuição de apenas ⅓ da pena. O acordo de Cid fechado com a PF e homologado por Moraes em 2023 previa perdão judicial ou pena privativa de liberdade não superior a dois anos. Em tese, todos os crimes imputados a Cid podem levar a uma condenação de 43 anos de prisão.

FonteG1